Sensores ou chips de visão

Apesar dos esforços para a obtenção de um protótipo ou substituto aceitável para o sistema visual que conhecemos, são imensas as barreiras para se conseguir sucesso nesse trabalho

 25/06/2025 - Publicado há 9 meses

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A possibilidade de recuperar a visão em doenças hoje ainda irremediáveis e de dar visão para máquinas autônomas ou robôs com inteligência artificial tem intensificado a investigação científica e a busca por tecnologias que atendam aos padrões mínimos de viabilidade prática aos chamados sensores ou chips de visão. Eles seriam um protótipo ou substituto aceitável para o sistema visual que conhecemos. Apesar dos esforços, as barreiras para ter sucesso nesse trabalho são imensas. Eduardo Rocha explica que olho biônico, sensores ou chips de visão são como protótipos ou substitutos para o sistema visual que conhecemos em pessoas e animais. Eles são compostos de sensor, para captar as imagens, o meio de transmissão, e o processador, para interpretar e disparar comandos referentes às imagens observadas. Existem, segundo ele, muitas pesquisas em busca do sensor de visão mais satisfatório e útil. Os cientistas procuram achar qual o material mais adequado, as formas de reduzir o volume, melhorar o desempenho e devolver as múltiplas funções que seriam desde recuperar a visão em doenças hoje ainda irremediáveis e de dar visão para máquinas autônomas ou robôs com inteligência artificial. Apesar dos esforços, as barreiras para ter sucesso nesse trabalho são imensas.

Ele prossegue: “Não temos ainda carros autônomos, robôs humanoides ou outras máquinas com desempenho visual relevante, nem mesmo ótimos chips que sejam capazes de reabilitar a visão perdida em pessoas que tiveram doenças da retina graves, problemas de nervo óptico ou doenças cerebrais que danificaram as áreas de processamento visual. Isso porque as exigências para se equiparar minimamente um olho artificial a um sistema visual vivo, aceitável, são muito altas. A visão oferecida, da forma como biologicamente conhecemos, é feita através da dedicação de milhões de células sensoriais, sistemas motores de movimento e de controle sensível de luz e processamento em diversos compartimentos cerebrais que recorrem à memória, interpretação e respostas motoras. Os semicondutores metálicos, monotônicos e pouco sensíveis testados até a década passada foram substituídos por protótipos bem mais modernos, multitarefas e mais sensíveis. Porém, esses sensores chips, ou olhos biônicos, como são popularmente conhecidos, ainda enfrentam desafios para chegar ao uso cotidiano. O alto consumo de energia, os artefatos de movimento, lentidão no ajuste de luz e contraste fazem com que os limites de precisão visual sejam questionáveis pelos especialistas e a aplicabilidade prática ainda precise de mais investigação e avanços científicos. Os avanços são promissores, mas ainda não temos um produto que seja considerado seguro e eficaz. Vamos aguardar”.


Fique de Olho
A coluna Fique de Olho, com o professor Eduardo Rocha, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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