Um artigo publicado em janeiro na revista Nature discutiu os efeitos da edição genética poligênica, utilizada quando se quer alterar a expressão ou função de vários genes que interagem para determinar uma característica.
O texto afirma que a técnica, aplicada em embriões e células germinativas, poderá se tornar viável nas próximas três décadas. Contudo, até o momento, nenhuma tentativa foi feita para prever as consequência dessas alterações genéticas.
Teoricamente, a edição poligênica poderia reduzir o risco para várias doenças complexas como Alzheimer, esquizofrenia, diabetes tipo 2, entre outras, e a prevalência de uma determinada doença. Em alguns casos, a manipulação de apenas um gene principal teria um efeito importante no ser humano.
Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP, afirma, no entanto, que algumas questões, principalmente tecnológicas e éticas, precisam ser levantadas. “Em primeiro lugar, a edição poligênica teria que ser feita em embriões a serem implantados por fertilização in vitro, o que não é o modo normal de reprodução para a maioria da população”, diz. “Também não temos ainda conhecimento suficiente sobre o papel do ambiente e sobre quais variantes são responsáveis pela herança complexa”, afirma Mayana ao se referir à transmissão de características controladas por vários genes.
Sobre os aspectos éticos, os autores do artigo ressaltam que a edição genética em nível individual poderia aprofundar as desigualdades em saúde, por exemplo. “Uma tecnologia como essa deverá ser de alto custo e, portanto, não acessível para a maioria da população”, lembra Mayana. A geneticista diz, ainda, que a edição genética poligênica precisa ser discutida pela sociedade e regulamentada: “Mas já existem laboratórios particulares oferecendo esses testes em embriões a serem implantados.”
Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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