
Uma menina de 8 anos morreu ao inalar um desodorante aerossol para cumprir um desafio virtual, e a tia da criança pediu para as pessoas ficarem atentas sobre os perigos da internet e seus desafios on-line. A professora Leila Tardivo, do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia (IP) da USP comenta: “As vezes os pais acham que está tudo bem, está em casa, no quarto, e não está tudo bem, porque a criança pode estar sendo vítima de situações que ela não sabe lidar”.
Leila ressaltou que os riscos estão presentes e que a internet pode parecer um mundo sem lei, embora já existam iniciativas de controle em outros países, mas que, presencialmente, as pessoas não levam crianças ou pré-adolescentes para lugares perigosos, nem os deixam sozinhos, e que o mesmo cuidado deveria ser aplicado à internet. Explicou que, devido à falta de regulamentação, as pessoas ficam expostas, especialmente crianças, adolescentes e idosos, a golpes e até mesmo a situações que podem colocar vidas em risco.

A especialista afirma: “[Na internet] é pior, porque a situação permite esse mundo sem regra, sem lei, há muitas pessoas que podem ter interesses escusos, pedofilia, mesmo as situações entre jovens, é tão preocupante o bullying, o cyberbullying. Então é preciso estar atento, poder abrir o diálogo, conversar com os filhos e cuidar, este controle é cuidado”.
Preocupação da OMS
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já demonstra preocupação com o impacto do uso prolongado de dispositivos digitais por crianças e adolescentes, reforçando a necessidade de acompanhamento e, em casos mais graves, intervenção profissional. A orientação é que pais e educadores mantenham diálogo constante e estejam atentos a mudanças de comportamento que possam sinalizar riscos à saúde mental. Leila destaca a importância de observar comportamentos compulsivos e tempo excessivo de tela como possíveis indicadores de dificuldades emocionais ou sociais, como problemas de relacionamento ou situações de crise.
Para a professora, a primeira medida essencial para o cuidado dos mais novos é o diálogo e a interação entre pais e filhos, incluindo acompanhar suas atividades on-line e estabelecer limites claros, como restringir conteúdos inadequados para a idade. A presença ativa dos responsáveis é fundamental para monitorar o que crianças e adolescentes consomem na internet, além de estar atentos a possíveis sinais de problemas, como autolesão ou cyberbullying. Em casos mais graves, pode ser necessário buscar ajuda profissional – embora nem todos os jovens desenvolvam condutas extremas, a exposição a conteúdos perigosos, como sites que incentivam violência ou ódio, exige vigilância constante.
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