

Com 15,3 milhões de empregos formais registrados em dezembro de 2023, o Estado de São Paulo reafirma sua liderança no mercado de trabalho brasileiro. O número representa 28% do total nacional de vínculos formais de emprego, conforme apontam dados da Fundação Seade, com base no Relatório Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego. Em comparação com 2022, houve crescimento de 2,9%, sinalizando a manutenção do dinamismo econômico paulista mesmo em um cenário nacional ainda marcado por instabilidades.
Crescimento
Além do aumento no número de vagas com carteira assinada, o Estado também se destacou pelo crescimento dos salários. Em 2023, o salário médio paulista chegou a R$ 4.512, um aumento real de 2,1% em relação ao ano anterior. Esse crescimento foi mais que o dobro da média nacional, que teve variação de 0,9% e salário médio de R$ 3.931. Nos grandes estabelecimentos, com mil ou mais funcionários, a remuneração média superou o dobro dos valores pagos por pequenas empresas, com até quatro empregados.
A análise por setor econômico revelou que os maiores salários e volumes de empregos formais estão concentrados nos grupamentos de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas. Também se destacam os setores de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais. Estes segmentos não apenas lideram em número de contratações como também apresentaram aumentos salariais significativos, de 1,6% e 2,5%, respectivamente.
Quando observada a distribuição por gênero, os homens ocupam a maioria dos postos formais, com 54,9% das vagas. Ainda assim, as mulheres apresentaram um crescimento maior na participação, com alta de 3,4% frente aos 2,4% dos homens. Apesar disso, a desigualdade salarial persiste: os homens receberam, em média, R$ 4.885, enquanto as mulheres ficaram com R$ 4.056 — uma diferença de 20%, ligeiramente maior que a registrada em 2022. A razão entre os salários caiu de 83,5% para 83%.
Escolaridade
A escolaridade também é um fator determinante para os rendimentos. Trabalhadores com ensino superior completo representavam 23,8% do total de empregos formais em São Paulo, enquanto aqueles com ensino médio completo detinham 54,8%. Mesmo com leve redução na participação de ambos os grupos em relação ao ano anterior, os dados confirmam uma diferença expressiva nos salários: quem concluiu o ensino superior recebeu, em média, mais de três vezes o que ganham os trabalhadores com apenas o ensino fundamental.
Em relação à faixa etária, o maior contingente de empregados formais está entre 30 e 49 anos, que representavam 52% do total. No extremo oposto, os idosos com 65 anos ou mais eram apenas 2%, revelando uma baixa presença desse grupo no mercado formal. Esses números refletem, em parte, o perfil etário mais produtivo da população economicamente ativa, mas também apontam para dificuldades de inclusão dos mais velhos em um mercado cada vez mais exigente.
Apesar dos avanços, os dados também revelam desafios estruturais. A diferença salarial entre homens e mulheres, a desigualdade entre grandes e pequenos estabelecimentos e o impacto da escolaridade nos rendimentos demonstram que, embora o Estado de São Paulo lidere em volume e valor dos empregos, ainda há disparidades significativas a serem enfrentadas.
A combinação de crescimento no número de empregos e aumento real dos salários reforça a centralidade econômica de São Paulo no País. Contudo, o foco em políticas que ampliem a equidade — seja de gênero, idade ou escolaridade — permanece fundamental para garantir um desenvolvimento mais justo e sustentável do mercado de trabalho.
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