Pesquisadores desenvolvem modelo de cauda em silicone para substituir uso de ratos nos laboratórios

Além de reduzir o desconforto dos animais, o protótipo elaborado na USP pode ser produzido em larga escala e diminuir os custos de importação

 01/04/2025 - Publicado há 12 meses
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chapéu que indica que a matéria faz parte do Momento Tecnologia

O protótipo foi projetado para reproduzir fielmente as características anatômicas de um animal real – Foto: CONCEA
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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um modelo de cauda de rato em silicone para o treinamento prático de alunos em procedimentos experimentais de laboratório. Idealizado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, o modelo busca reduzir o desconforto de animais decorrentes do manuseio inadequado por estudantes inexperientes.

De acordo com Dennis Zanatto, pesquisador da FMVZ e um dos responsáveis pela patente juntamente com a professora Claudia Mori, a inovação foi pensada a partir da necessidade de oferecer um recurso alternativo que minimizasse erros durante o treinamento e diminuísse o estresse tanto dos animais quanto dos alunos.

Características

Conforme o especialista, o modelo de cauda de rato foi projetado para reproduzir fielmente as características anatômicas de um animal real. Feita de silicone translúcido, a cauda possui um tubo interno em formato de U que simula as veias laterais dos ratos. Esse compartimento é preenchido com sangue artificial, permitindo que os alunos pratiquem a punção venosa de maneira segura e controlada.

Além da semelhança estrutural com a cauda real, a escolha dos materiais e a simplificação do processo de fabricação tornam o modelo acessível e viável para uso em larga escala. “Os modelos similares disponíveis no mercado são importados e possuem custos elevados de aquisição e manutenção. Isso inviabiliza sua aplicação em turmas grandes, nas quais cada aluno deve ter acesso individual ao modelo para praticar”, destaca.

Público-alvo

A tecnologia foi pensada para atender uma ampla gama de usuários, incluindo estudantes de graduação, profissionais da área veterinária, pesquisadores e instituições de ensino e bem-estar animal. De acordo com Zanatto, a proposta é que o modelo seja utilizado como um recurso didático em aulas práticas, possibilitando um aprendizado mais eficiente sem a necessidade de recorrer a animais vivos.

O pesquisador destaca que essa inovação está alinhada com os princípios dos “Três Rs” – reduce, refine e replace (redução, refinamento e substituição, em português) – da experimentação animal, bem como com as diretrizes do Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea). O modelo também já está incluído no repositório de métodos substitutivos ao uso de animais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Atualmente, a tecnologia encontra-se na fase de demonstração, com os protótipos sendo testados em treinamentos reais e inclusive na disciplina de Ciência de Animais de Laboratório da FMVZ/USP. A próxima etapa envolve a validação do modelo em um ambiente operacional real, o que será capaz de permitir a utilização em larga escala e a ampliação do acesso ao recurso.

Futuro

Entre os desafios a serem superados, os pesquisadores buscam melhorar a eficiência do processo de fabricação, aprimorar a textura e a maleabilidade do silicone para maior realismo e aumentar a durabilidade do modelo. A ideia é garantir que ele resista a múltiplas perfurações sem vazamento do sangue artificial, de modo a prolongar sua vida útil e reduzir os custos de reposição.

Além de possibilitar a substituição de animais vivos em treinamentos de punção venosa, Dennis Zanatto afirma que a tecnologia pode ser aplicada também em outros contextos. No futuro, o grupo pretende expandir o projeto para o desenvolvimento de novos modelos anatômicos que possam substituir diferentes espécies.

“Com incentivos e parcerias estratégicas, essa patente pode se tornar uma referência nacional em métodos alternativos de treinamento em procedimentos experimentais. Nosso objetivo é distribuir essa tecnologia de forma acessível, garantindo que o modelo seja referência nesses procedimentos, ampliando o acesso ao aprendizado prático e melhorando a capacitação de profissionais”, avalia.

Confira vídeo de treinamento com o modelo:


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