
Nunca, como agora, as plataformas de redes sociais se envolveram tanto na vida política das nações, manifestando abertamente suas posições partidárias. “Desde que o Donald Trump ganhou a eleição, no ano passado, a maioria dos donos de plataformas sociais deixou realmente cair a máscara – alguns, como Elon Musk, já fazia tempo que tinham feito isso; outros, como Zuckerberg, da Meta, que tem o Facebook, o Instagram e outras plataformas, agora estão dizendo que ‘chegou o tempo de voltar às nossas raízes'”, diz o professor Carlos Eduardo Lins da Silva ao lembrar uma fala de Zuckerberg quando anunciou que não iria mais ter moderadores de conteúdo nos EUA e em outros países. Ao mesmo tempo, novos estudos mostram que as plataformas estão ganhando “colorido político bastante definido”.
E o jornalismo, onde fica nisso tudo? “Os próprios jornais tradicionais”, prossegue o colunista, “têm renunciado à sua função clássica de ser o ambiente que acolhe todos os tipos de opinião para que ali elas se confrontem para que a audiência possa tirar suas conclusões”. O jornal The Washington Post decidiu não dar mais espaço, em suas páginas opinativas, para qualquer tipo de comentário que vá contra os dois princípios básicos que norteiam a sua linha editorial: a liberdade de mercado e a liberdade individual. “Isso significa que os jornais estão abrindo mão daquela sua clássica posição que os tornaram tão importantes, tão relevantes, que era aquela que se dizia, já desde o final do século 19, que era o lugar onde as nações faziam os seus debates internos. Então, de fato, é um momento difícil que se vive para o jornalismo por causa da crescente politização e partidarização das plataformas de redes sociais”, conclui ele.
Horizontes do Jornalismo
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar quinzenalmente, segunda-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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