Uma pesquisa liderada por cientistas do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP e publicada na revista Frontiers in Cellular and Infection Microbiology mostrou que a alta expressão do gene IFIT-3 (interferon induced protein with tetraticoptide repeats 3) em mulheres expostas ao vírus da covid parece protegê-las de uma infecção, mesmo em condições de exposição intensa.
O IFIT-3 é um gene responsável por codificar uma proteína antiviral essencial, que ajuda a inibir a replicação de diversos patógenos nas células do hospedeiro. Os resultados sugerem o IFIT-3 como um possível alvo para o desenvolvimento de novas terapias antivirais que podem potencializar a resposta imunológica inata (aquela que nasce conosco) contra o sars-cov-2 e outros vírus e patógenos.
Esse estudo, fruto de uma parceria entre o CEGH-CEL, o Laboratório de Imunologia da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e o Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP, é uma continuação de investigações feitas no início da pandemia de covid-19. Naquela época, o CEGH-CEL decidiu investigar casais discordantes, em que um dos cônjuges foi infectado e o outro permaneceu assintomático, apesar de compartilhar a mesma casa e cama sem nenhuma proteção especial.
Os cientistas fizeram o estudo genômico de 83 casais e observaram que, nos parceiros resistentes, variantes em dois genes diferiam entre os grupos infectados e os resistentes. Essas variantes, aparentemente, diminuíam a atividade das células NK (do inglês natural killers, um tipo de célula de defesa) nos pacientes infectados e não nos resistentes.
“Essa descoberta não só amplia nosso entendimento sobre a proteção natural à covid-19, mas também aponta para oportunidades de avanços terapêuticos que poderiam beneficiar a saúde pública em futuras pandemias,” finaliza Mayana Zatz, diretora do CEGH-CEL.
Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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