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Inspirado por uma experiência no Massachusetts Institute of Technology (MIT), o pesquisador Caetano Miranda, do Instituto de Física (IF) da USP, lançou a iniciativa LabDiv – Expressão e Divulgação, que busca desenvolver competências de comunicação científica junto à comunidade de físicos da Universidade. O projeto vai atuar em duas frentes distintas, atendendo a grandes demandas da comunidade do IF: a primeira busca a melhoria da expressão e comunicação do trabalho científico, enquanto a segunda foca no fomento a ações de divulgação científica. Conheça a iniciativa neste link.
Na fase inicial, o projeto terá como estratégia o oferecimento das ferramentas para o desenvolvimento de competências essenciais que envolvem, por exemplo, o preparo de apresentações mais atrativas, a redação de resumos mais claros e coesos, a montagem de pôsteres mais marcantes e efetivos. Como presidente da Comissão de Pesquisa do IF, Miranda já sabia da necessidade de fortalecer o preparo dos estudantes para estas atividades necessárias e correntes da vida acadêmica, mas que não são abordadas durante o curso. O pesquisador ressalta que, quando presentes, essas competências costumam ficar mais contidas no âmbito dos grupos de pesquisa, e entende que devam ser estimuladas de maneira mais ampla.
“Eu tive uma experiência quando estava como pós-doc no MIT, que era um suporte – uma articulação entre os próprios estudantes, alunos de pós-graduação, entre os pós-doutorandos e os docentes. Havia um grupo, como esse laboratório de comunicação, que essencialmente auxiliava, em termos da redação, a criar um currículo, a fazer uma aplicação. Era o suporte a um tipo de texto com direcionamento mais específico – você tinha o olhar de alguém que é da área, ou próximo, e, portanto, poderia auxiliar na curadoria daquele texto antes que fosse, de fato, submetido. E isso envolvia todos os tipos de texto. Também as apresentações, o preparo para uma conferência […] Era uma forma de você poder se articular e ter um olhar de quem é de fora do grupo. Isso era muito enriquecedor e acontecia de uma forma orgânica, entre discentes e docentes”, recorda Miranda.

O pesquisador descreve como essa estrutura se organizava em diferentes unidades no MIT, cada qual com as especificidades de sua área, e gerava um labkit – uma série de pressupostos ou materiais de suporte que se adequam à respectiva área de pesquisa. Havia também um treinamento para que pessoas interessadas pudessem se tornar mentoras nos processos, que incluíam analisar resumos, oferecer feedback em relação a apresentações e outras atividades afins. Dessa maneira, a comunidade aprimorava continuamente as habilidades de comunicar e apresentar seus estudos. Segundo o professor, os impactos eram inegáveis: melhoria na recepção dos trabalhos e aumento de confiança para atender às demandas de comunicação relacionadas às atividades de pesquisa, além de gerar também o aumento na integração entre docentes e discentes.
Miranda realizou o curso disponibilizado por um dos laboratórios do MIT como ação de difusão durante a pandemia: em uma semana de imersão, foram apresentados os elementos necessários para montar um laboratório equivalente, em seu segmento de interesse. O conteúdo contemplou temas de treinamento, a mentoria, os processos de acompanhamento, materiais disponíveis, reflexões sobre as questões de especificidade – no Brasil, por exemplo, envolveria organizar um material em português e com adequações culturais. “Propusemos como nome LabDiv – Expressão e Divulgação, já que se trata de desenvolver exatamente isso: a habilidade de se expressar através da palavra, do som, da imagem. E ‘divulgação’ é essa conversa que a gente quer levar para a sociedade. A ideia, então, é criar as ferramentas e oferecer um período de treinamento, de mentoria, para fazer esse acompanhamento”, comenta o pesquisador.
O curso auxiliou no fomento e reflexão de como se daria a proposta mais adequada para o IF – não se tratando de comunicação institucional, mas de um direcionamento especializado nas áreas da Física, com possibilidade de analisar os conteúdos em termos conceituais, de explicações que funcionam melhor, ou seja, do ponto de vista de quem poderia avaliar um projeto visando à aprovação de recursos, por exemplo. Em sua ponderação sobre as adaptações mais interessantes ou prioritárias, o pesquisador entendeu que o direcionamento passaria, necessariamente, pela compreensão das demandas da comunidade – as maiores dificuldades dos estudantes e questões afins. E o levantamento dessas informações foi a primeira ação do projeto. À frente desta atividade e do desenvolvimento dos materiais do labkit do IFUSP está a bacharelanda Danielle Serafim, em seu projeto de Iniciação Científica, orientado por Caetano. A própria aluna, na posição de possível usuária, montou o questionário enviado à comunidade.

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Um dos aspectos de interesse foi entender como os professores enxergam a habilidade de comunicação. “Algumas pessoas podem entender que isso não seja um investimento, e sim algo para competir com a formação no núcleo duro da física, quando, para a carreira, isso é fundamental”, diz o professor. Outro aspecto foi pensar nas prioridades das atividades disponibilizadas que, segundo ele, neste primeiro momento, o foco escolhido foi o preparo de apresentações. Aproveitando o calendário, direcionou-se o oferecimento de apoio aos estudantes que participaram do Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP – Siicusp – alguns manifestaram interesse e já estão participando da mentoria. O projeto também está recebendo a adesão de novos professores.
“Esse é um modelo que pode ser replicado em qualquer unidade. Isso é um ponto interessante, porque muitas vezes esse conhecimento fica restrito ao grupo de pesquisa. Com o laboratório, você acaba, inclusive, auxiliando o trabalho do líder do grupo, do orientador, pois a apresentação já vem pré-avaliada, pré-preparada, com um olhar de quem é de fora. O trabalho chega já amadurecido no ponto que você está querendo mostrar.”
Para aqueles que já realizam ações de divulgação científica, o LabDiv disponibiliza, além dos materiais, mentorias e acompanhamentos oferecidos, espaços e ferramentas para a produção de conteúdo. Para saber mais sobre o projeto e se inscrever para participar acesse o neste link.
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Texto: Assessoria de Comunicação do IF USP

























