
Uma pesquisa do Made, Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, sediado na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo, analisa a inflação de alimentos através de dados dos anos de 2003 até 2025.
Na entrevista, Rafael Ribeiro, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, explicou que a inflação dos alimentos merece uma atenção especial porque esse grupo tem peso importante no orçamento das famílias brasileiras, sobretudo das de menor renda.
As variações cambiais são as mudanças no valor de uma moeda em relação à outra. Com o dólar alto, o real se desvaloriza, produtos importados e insumos usados na produção de alimentos ficam mais caros. Além disso, a alta do dólar pode incentivar exportações, diminuindo a oferta interna e pressionando os preços.

Resultados encontrados
O câmbio afeta o preço dos alimentos, sim, mas menos do que se imagina. Para descobrir isso, os pesquisadores utilizaram um modelo linear e um modelo não linear. São ferramentas usadas para analisar dados e medir a relação entre variáveis.
Os autores notaram que uma desvalorização cambial de 10% eleva a inflação de alimentos em cerca de 0,1 ponto porcentual e ainda pode demorar meses para aparecer. Já em relação ao modelo não linear, eles testam para ver se o efeito muda, dependendo da situação e do cenário.
“Quando o preço do dólar sobe, você tem um repasse maior, ou seja, a inflação de alimentos sobe mais, quando o preço do dólar cai, você não identifica efeitos estatisticamente significativos de queda nos preços dos alimentos”, explicou Ribeiro.
Fatores externos e seus impactos
Ribeiro comenta que o setor alimentício é muito oligopolizado. Ou seja, poucas empresas dominam o mercado e detêm um forte poder econômico. “Boa parte da precificação hoje de contratos de logística, distribuição, exportação são feitos com base na inflação passada”, afirmou ele. Esse fator entra na inércia inflacionária, que é quando os preços continuam subindo porque já vinham subindo anteriormente.
Além disso, as questões climáticas possuem impactos significativos nos preços dos alimentos. Quando secas ou chuvas intensas reduzem a oferta, os preços tendem a subir. “Isso gera quebra de safra, isso é, reduz a oferta de alimentos no mercado doméstico e os preços se elevam. Identificamos que eles talvez tenham um peso maior sobre a determinação dos alimentos, ou seja, a inércia inflacionária e eventos climáticos extremos do que a taxa de câmbio por si só.” O especialista ainda conclui que existem outros custos como transporte, energia e logística que interferem no preço das commodities e, consequentemente, no valor final do alimento.
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