Nesta edição de sua coluna, o professor Eduardo Rocha fala sobre ceratocone, uma alteração do formato da córnea, que passa a ter progressivamente um contorno cônico no final da infância e no início da idade adulta. A herança genética, causas inflamatórias como alergias e o hábito de coçar os olhos são fatores conhecidos há muito tempo como causas de risco para a ceratocone. “É provável que indivíduos diferentes tenham ceratocone por razões diferentes e com características também muito distintas. O que se observou, nos últimos 15 anos, foi um aumento no número de casos e nas opções de tratamento. A inovação tecnológica contribuiu para facilitar o diagnóstico e as opções para a recuperação da visão em pessoas com ceratocone. A hipótese de que mudanças de hábitos geracionais tenham aumentado o número de casos ainda foi pouco investigada”, diz o colunista.
De acordo com Rocha, muitas doenças que possuem uma herança familiar podem encontrar no ambiente fatores que atuam como protetores ou agravantes. Isso serve para diabetes, vários tipos de câncer, alergias e até para doenças oculares como a miopia. Ele cita estudo realizado em parceria entre a Unifesp e a Fundação Altino Ventura (FAV) sobre formas de prevenir a progressão do ceratocone, as quais se valem da suplementação oral de riboflavina (vitamina B2) e estímulo a aumentar a exposição solar. “O estudo abre uma boa perspectiva terapêutica, cuja eficácia a médio e a longo prazo e o tempo certo para iniciar a intervenção, em busca do melhor resultado, ainda precisam de mais investigação. Não foi objetivo desse estudo, mas surge como uma hipótese curiosa a ser explorada, até para fins preventivos e de saúde pública, se está faltando às crianças das gerações mais recentes mais exposição ao sol e mais vitamina, que poderiam estar associados a esse aparente aumento de ceratocone e a outras consequências na saúde da vida adulta. A ciência dirá.”
Fique de Olho
A coluna Fique de Olho, com o professor Eduardo Rocha, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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