Vacina contra Zika é testada em animais

USP colabora em estudo publicado na Nature que trouxe otimismo para o desenvolvimento de vacina contra Zika. No experimento, realizado em Harvard com as cepas brasileira e porto-riquenha do vírus, dois tipos diferentes de vacina foram desenvolvidos e testados em camundongos de diferentes linhagens. Tanto as vacinas quanto os anticorpos dos animais imunizados foram capazes de proteger completamente os camundongos expostos ao Zika.

 28/06/2016 - Publicado há 5 anos  Atualizado: 11/07/2019 as 14:06
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No dia 28 de junho de 2016, a revista Nature publicou o artigo “Proteção Vacinal contra o Zika Vírus brasileiro“, em que camundongos vacinados contra Zika e expostos ao vírus mostraram-se imunizados contra a doença. O trabalho é uma espécie de ponto de partida para testes de vacinas contra Zika em animais, etapa imprescindível para a fabricação de uma vacina para humanos. Camundongos de diferentes linhagens foram tratados com vacinas experimentais diferentes. Depois, desafiados com vírus Zika, não contraíram a doença. O Núcleo de Divulgação Científica da USP conversou com três dos autores.

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Os experimentos foram feitos no Centro de Virologia e Pesquisa em Vacina, da Escola de Medicina de Harvard, dirigido pelo imunologista Dan Barouch. O primeiro autor do artigo, Rafael Larocca, é pesquisador no Centro e concluiu seu doutorado no Instituto de Ciências Biomédicas da USP, onde conheceu Jean Pierre S. Peron, imunologista do ICB e co-autor do artigo. Jean já havia publicado na Nature, meses antes, com um grupo de colegas da USP, um artigo que comprovou que o Zika causa microcefalia em uma linhagem de camundongos, em minicérebros e provoca restrição de crescimento intrauterino.

Nature publica pesquisa da USP sobre Zika

Com a cepa brasileira do Zika em mãos e as informações sobre o comportamento do vírus no modelo animal, Larocca e os demais colegas de laboratório testaram dois tipos diferentes de vacina: uma de DNA e outra de vírus inativado. As duas se mostraram eficientes, protegendo completamente os camundongos expostos ao vírus. Este é o primeiro passo rumo ao desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da Zika em humanos. Além disso, o grupo conseguiu demonstrar, num estudo de transferência adotiva, que anticorpos coletados de um animal vacinado podem proteger outro animal, não imunizado, do vírus.

Larocca conta o trabalho que dá ser primeiro autor de um paper na Nature. “No início do experimento, só eu infectava os camundongos. Todo mundo tinha medo de entrar em contato com vírus Zika”, explica. Na nossa playlist, o pesquisador conta um pouco de sua rotina durante os testes; Peter Abbink, co-autor do paper, explica como escolheram o alvo para o desenvolvimento da vacina e Dan Barouch fala sobre a importância da descoberta e quais os próximos passos da pesquisa.

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Por Fabiana Mariz, Mônica Teixeira, Tabita Said, do Núcleo de Divulgação Científica da USP
Imagens: Tabita Said, Rafael Larocca | Edição: Alan Petrillo e Caio Fernandes.


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