Respirar… não é fácil!

Pesquisa mostra que CO2 também pode chegar ao Sistema Nervoso Central através do sistema vascular e que a presença do CO2 numa área específica do cérebro de ratos, o núcleo retrotrapezóide, induz vasoconstrição, e não vasodilatação.

Editorias: Ciências - URL Curta: jornal.usp.br/?p=242393

Respirar é um mistério para a neurobiologia. Células nervosas, como neurônios e astrócitos, “percebem” a quantidade de gás carbônico presente no cérebro e regulam a respiração de acordo com ela. Isso é importante para garantir o equilíbrio no corpo.
Neste vídeo, os pesquisadores Thiago Moreira e Ana Carolina Takakura, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, que estudam como respiramos, contam o que já se sabe sobre o tema e também o que descobriram sobre o efeito do gás carbônico e de variações de PH no núcleo retrotrapezóide do cérebro de ratos.

O laboratório de Controle Neural Cardiorrespiratório, onde trabalham Moreira e Takakura, se dedica a compreender quais partes do sistema nervoso central estão envolvidas com o controle químico da respiração e da pressão arterial. Mas seu interesse especial está no funcionamento do núcleo retrotrapezóide – localizado na região do bulbo ventrolateral, possui neurônios “especializados” em detectar os níveis de CO2 no organismo e influenciar os centros respiratórios para ativar o reflexo de “respirar mais”, tanto em situações de baixas quantidades de oxigênio, quanto em situações de aumento da pressão parcial de gás carbônico.

A pesquisa deles mostrou que este CO2 também pode chegar através do sistema vascular e que, diferentemente do que os livros clássicos de fisiologia mostravam, a presença do CO2 no núcleo retrotrapezóide induz vasoconstrição, e não vasodilatação. No vídeo, os pesquisadores contam como funciona o controle metabólico da respiração e algumas consequências do excesso de CO2 no organismo, como a Síndrome de Ondina.

O artigo “Purinergic regulation of vascular tone in the retrotrapezoid nucleus is specialized to support the drive to breathe” foi publicado na Revista Científica e-Life, em Abril de 2017.

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