

A gravidez em mulheres durante a adolescência é um problema histórico brasileiro. Entretanto, pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) aponta que a maternidade nesta faixa etária no Estado tem diminuído nas últimas décadas. Em 2024, os índices atingiram o menor nível da série histórica.
A redução de nascimentos nesse grupo contribuiu diretamente para a queda geral de bebês nascidos no Estado. De acordo com o estudo, nos 44 anos examinados, entre 1980 e 2024, enquanto o número total de nascimentos recuou 35%, entre as mães adolescentes o declínio foi de 60%.
Mudanças no panorama
A retração apresentada pela fundação é expressiva quando comparada às estatísticas apresentadas nas décadas passadas. Em 2000, a proporção de mães adolescentes superava 20% do total em quase todo o Estado. Na época, as regiões de Registro, Itapeva e Barretos apresentaram porcentagem de 25%. Dez anos depois, os níveis estaduais se mantinham acima de 15%, menos na Região Metropolitana de São Paulo e na região de Campinas.
Entre 2010 e 2020, a queda no número de mulheres grávidas com menos de 20 anos se intensificou. Em 2024, a média estadual atingiu a marca de 8% das mães ainda na fase da adolescência. Esse é o menor índice registrado durante a realização do estudo.
Fecundidade
Outro aspecto que indica contribuição na queda de nascimentos em São Paulo é a taxa específica de fecundidade por idade, ou seja, a relação entre o número de nascidos vivos e o total de mulheres de cada grupo etário. De acordo com a fundação, em 2024, a fecundidade das mães de 15 a 19 anos no Estado de São Paulo foi de 26,9 nascidos por mil mulheres. A estatística representa uma queda de 63% em relação a 2000, quando era de 72,5 por mil.
A análise feita pela Fundação Seade ressalta que, apesar das quedas apresentadas, é necessário manter cautela. A fecundidade entre as adolescentes ainda é elevada, quando comparada à de países europeus, com níveis inferiores a dez nascimentos a cada mil mulheres da mesma faixa etária.
*Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo
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