A zona leste de São Paulo, que pode ser vista como a terceira cidade do País, com mais de 4 milhões de habitantes (35% da população do município) sofre com a falta de políticas públicas, a ponto de registrar apenas 13% dos empregos da metrópole paulista. Tirando a Subprefeitura da Mooca, a mais rica da região, o restante dela tem 6% dos empregos de SP, isso numa população estimada em 3,5 milhões de habitantes – “o que é uma barbaridade”, afirma José Luiz Portella, pós-doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA). Outro aspecto a sublinhar essa disparidade tem a ver com a cobertura vegetal, que é de – mesmo com o Parque do Carmo, o maior da cidade – apenas de 11% a 12%, enquanto a de São Paulo como um todo é de 54%, “que é uma cobertura ótima, padrão ONU”.
Na sequência de sua análise, Portella lista os pontos potenciais da zona leste, como o McDonald’s do Shopping Itaquera, o maior fora dos EUA em faturamento na América. Já a renda média da população da região é de dois terços da renda do restante do município. “Significa que todas as outras regiões têm uma renda maior que a média e quem tem abaixo da média é a zona leste.” Portella diz que a riqueza passa pela região, mas não fica lá, ao contrário do que acontece com o Tatuapé, por exemplo, local de concentração de riqueza. O que acontece, segundo ele, é falta de políticas públicas na zona leste e a falta de atrativos para atrair empresas. Diante disso, a população é obrigada a se deslocar para os centros mais favorecidos economicamente para trabalhar e consumir nos locais de destino.
“Não fizeram nunca políticas públicas para geração de emprego e renda local. O sujeito precisa trabalhar na zona leste, ganhar dinheiro na zona leste e gastar na zona leste”, afirma ele. “A zona leste foi esquecida, embora seja a maior de São Paulo.” Portella diz ainda que ela tem uma sub-representação política, com baixo número de vereadores e deputados eleitos pela região em comparação à sua população. Em consequência não há outra saída para a região, a não ser a geração de emprego e renda local, a partir de três eixos: a transição energética, a economia criativa e a inteligência artificial.
Ficha técnica
Produção: Denis Pacheco e Cinderela Caldeira
Composição Musical e Edição de Som: André Leite, Angélica Peixoto e Mariana Franco, com supervisão de Guilherme Fiorentini

























