Pigmento índigo pode ser extraído de plantas brasileiras de forma mais sustentável

Doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, obtém o índigo, pigmento azul que dá cor a tecidos como o jeans, por meio de extração sustentável de duas espécies brasileiras

Por
 Publicado: 19/03/2026 às 16:01
Novos Cientistas - USP
Novos Cientistas - USP
Pigmento índigo pode ser extraído de plantas brasileiras de forma mais sustentável
/

Em tecidos como o jeans, o tom azul característico é obtido com o índigo, um dos pigmentos naturais mais antigos utilizados pela humanidade. “O índigo também já foi usado em pinturas, cosméticos e até em aplicações medicinais em diferentes culturas”, como contou a pesquisadora Thaís Silvestre Sanches Antichera. Ela é autora do estudo de doutorado Índigo brasileiro: extração sustentável do pigmento azul a partir das espécies Couroupita guianensis e Indigofera, defendido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Thaís foi a entrevistada na edição deste 19 de março de Os Novos Cientistas.

Como contou a pesquisadora, “a maior parte do índigo utilizado no mundo é obtida de forma sintética, a partir de derivados petroquímicos.” Esse processo foi desenvolvido no final do século 20 e permitiu a produção em larga escala e com baixo custo. “No entanto, ele também está associado a impactos ambientais importantes, como o uso de substâncias tóxicas e geração de resíduos químicos”, destacou Thaís, ressaltando que há o interesse, em larga escala, em resgatar rotas naturais e sustentáveis para obtenção desse pigmento, especialmente dentro do contexto da bioeconomia e da moda sustentável.

Sob a orientação do professor Marcel Bellato Sposito, a pesquisadora buscou desenvolver e avaliar rotas mais sustentáveis para a extração do pigmento índigo a partir de espécies vegetais brasileiras, como a Couroupita guianensis e Indigofera suffruticosa. “Busquei compreender desde a presença dos precursores do pigmento nas plantas até a eficiência dos métodos de extração, a caracterização química do material obtido e o desempenho da cor em aplicações têxteis”, contou. De forma geral, de acordo com Thaís, o trabalho procurou contribuir para a valorização da biodiversidade brasileira como fonte de matérias-primas renováveis e para o desenvolvimento de alternativas tecnológicas mais alinhadas com princípios de sustentabilidade.

 

Disponível também na plataforma Spotify


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.