Estimulação cognitiva para o envelhecimento ativo

Por Thais Bento Lima Silva, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP

 Publicado: 17/03/2026 às 10:09
Thais Bento Lima Silva – Foto: Arquivo pessoal

 

Um estudo recém-publicado teve como foco a promoção da saúde cognitiva e do humor de pessoas idosas com cognição normal. Trata-se de parceria entre o Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, do curso de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo com o Instituto Supera, que financiou a pesquisa.

O estudo acompanhou 207 participantes idosos saudáveis ao longo de 24 meses. Os participantes foram alocados aleatoriamente em três grupos: grupo de estimulação cognitiva (participou do método Supera por 18 meses), grupo controle ativo (recebeu informações sobre envelhecimento e saúde pelo mesmo período) e o grupo controle passivo (apenas realizou as avaliações). O estudo teve como objetivo avaliar o impacto um programa de estimulação cognitiva estruturada ao longo de 18 meses.

Aspectos importantes da intervenção são: abordagem multicomponente que envolve o uso de ábaco (calculadora milenar de uso manual), exercícios com lápis e papel, jogos de cartas e de tabuleiro, dinâmicas em grupo e uma plataforma de jogos cognitivos on-line para a realização de exercício em casa.

Após a participação, entre os participantes da estimulação cognitiva, observou-se benefício em funções executivas, que envolvem habilidades como planejar, tomar decisões, resolver problemas e realizar tarefas cotidianas. A estimulação cognitiva também ajudou a reduzir a percepção de declínio na cognição, o que pode diminuir o risco de evolução para quadros mais graves, como o comprometimento cognitivo leve e a demência. Também houve melhora da percepção da qualidade de vida e na redução dos sintomas depressivos entre os participantes que realizaram a estimulação cognitiva.

A estimulação cognitiva pode ser iniciada em qualquer idade, antes de qualquer declínio cognitivo, como uma ação de prevenção. Em outras palavras, realizar atividades cognitivamente estimulantes ao longo da vida pode fortalecer a reserva cognitiva e atenuar um possível declínio no futuro. A pesquisa demonstrou que intervenções preventivas de longa duração são viáveis e poderiam ser replicadas em nível nacional.

O grupo de pesquisa pretende adaptar o método e avaliá-lo em pessoas idosas de baixa escolaridade e em pessoas com comprometimento cognitivo leve.

O estudo foi liderado por mim, em parceria com as professoras Sonia Brucki e Mônica Yassuda. Contou com a participação de estudantes do curso de Gerontologia e gerontólogos devidamente treinados na área de estudos científicos e de intervenções cognitivas para pessoas idosas.

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