ECA Digital surge como avanço na proteção de crianças e adolescentes na internet

Conhecida como Lei Felca, é um primeiro passo para enfrentar abusos, exploração e desafios perigosos nas redes, diz Daniel Cara

 Publicado: 17/03/2026 às 11:18
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Ilustração mostra uma adolescente sentada em seu quarto, segurando as pernas com ambas as mãos, enquanto pairam sobre ela desenhos em círculos que a hostilizam e a assombram
Menores de idade conseguem acessar conteúdos inadequados ou participar de comunidades que podem ser prejudiciais ao seu desenvolvimento – Ilustração: Freepik
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O ECA Digital, também conhecido como Lei Felca, representa uma importante iniciativa brasileira voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual. De acordo com o professor Daniel Cara, essa legislação é considerada um grande avanço, pois busca enfrentar um problema cada vez mais presente na sociedade: os riscos e as violências que os jovens podem sofrer por meio da internet. No entanto, ele destaca que “essa é apenas uma primeira tentativa de regulamentar o espaço digital, já que a tecnologia evolui rapidamente e apresenta desafios complexos que exigirão atualizações constantes da lei”.

O ambiente digital tornou-se parte fundamental da vida de crianças e adolescentes, seja para estudo, entretenimento ou comunicação. Entretanto, junto com os benefícios, surgem também diversos perigos. Entre eles estão a exposição a conteúdos de ódio, a exploração sexual, o aliciamento por criminosos e a participação em desafios perigosos que circulam nas redes sociais. Por esse motivo, torna-se essencial que existam leis específicas que garantam a segurança e a dignidade dos jovens na internet.

Um dos grandes desafios apontados por Daniel Cara “é o controle da idade dos usuários nas plataformas digitais, como redes sociais, jogos on-line e outros serviços disponíveis na internet. Muitas vezes menores de idade conseguem acessar conteúdos inadequados ou participar de comunidades que podem ser prejudiciais ao seu desenvolvimento”. Para tentar reduzir esse problema, algumas plataformas passaram a exigir formas mais rigorosas de identificação, como verificação facial ou autorização dos pais para o uso de determinadas ferramentas. Em alguns casos, o acesso é completamente proibido para menores de idade.

Essas medidas têm provocado mudanças significativas no funcionamento de diversas plataformas digitais e comunidades virtuais. Apesar de não resolverem totalmente o problema, representam um avanço no sentido de proteger crianças e adolescentes. No entanto, ainda existem muitas formas de burlar esses sistemas de controle, o que demonstra que a fiscalização precisa ser constante e que as tecnologias de verificação devem evoluir junto com as estratégias utilizadas para contorná-las.

Daniel Tojeira Cara – Foto: Reprodução/Twitter

Crimes digitais

Outro ponto importante destacado pelo professor é o crescimento preocupante de crimes digitais envolvendo menores de idade. “Casos de abuso sexual on-line, pedofilia digital e exploração de imagens de crianças têm aumentado nos últimos anos, tornando-se um problema extremamente grave. Além disso, desafios violentos divulgados na internet podem incentivar comportamentos perigosos, inclusive contra animais ou contra a própria integridade física dos jovens.” Esse cenário reforça a necessidade de políticas públicas e legislações que atuem diretamente na proteção desse público no meio digital.

O ECA Digital também tem como objetivo reforçar que as plataformas digitais devem ser responsáveis pelo que acontece em seus ambientes virtuais. Muitas empresas afirmam que os usuários devem seguir apenas os termos de uso estabelecidos pelas próprias plataformas. No entanto, segundo Daniel Cara, isso não pode substituir as leis que existem para garantir os direitos e a cidadania das pessoas. Em outras palavras, as regras definidas pelas empresas não podem se sobrepor às leis de um país, especialmente quando estão em jogo a segurança e a dignidade de crianças e adolescentes.

Mesmo sendo uma legislação importante, o ECA Digital ainda enfrenta desafios para ser aplicado de forma efetiva, destaca o educador. “Um dos principais problemas é que muitas plataformas digitais têm sede em outros países e, por isso, alegam que nem sempre precisam obedecer às leis brasileiras. Essa situação cria dificuldades para a fiscalização e para a responsabilização das empresas em casos de violações.” Por esse motivo, além da regulamentação nacional, também será necessário avançar em acordos e normas internacionais que obriguem as empresas de tecnologia a respeitar as leis de proteção aos usuários em diferentes países.

Diante de todos esses fatores o professor reforça que o ECA Digital deve ser implementado o mais rapidamente possível em todo o território nacional. A lei representa um passo importante para fortalecer a proteção de crianças e adolescentes na internet e para garantir que o ambiente digital também seja um espaço de respeito, segurança e cidadania. No entanto, será fundamental acompanhar as transformações tecnológicas e atualizar constantemente a legislação, garantindo que ela continue eficaz diante das novas formas de uso e dos novos riscos presentes no mundo digital.


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