Idosos com memória excepcional têm grande quantidade de neurônios jovens

Achados corroboram a hipótese de que a neurogênese continua também na idade adulta

 Publicado: 12/03/2026 às 12:45
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Um artigo recente publicado na revista Nature mostra que o cérebro de pessoas com mais de 80 anos e que possuem uma memória extraordinária têm um grande número de neurônios jovens. Esses achados suportam a hipótese de que novos neurônios continuam sendo produzidos, mesmo na idade adulta.

Os cientistas examinaram os cérebros de pessoas falecidas com memória excepcional, divididos em grupos: adultos jovens com memória intacta, idosos sem comprometimento cognitivo, idosos com capacidade de memória extraordinária (que os autores chamaram de super agers) adultos com patologia intermediária pré-clínica ou adultos com doença de Alzheimer.

“Isso já havia sido demonstrado em animais adultos, incluindo camundongos e primatas, mas a dificuldade era provar isso em cérebros humanos, porque as estratégias usadas para estudar animais não podem ser usadas em humanos”, explica Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP. “Por exemplo, em camundongos os pesquisadores podem injetar substâncias que identificam o aparecimento e desenvolvimento de neurônios.”

Segundo a geneticista, é possível usar anticorpos específicos, ou seja, marcadores de proteínas que identificam células de neurônios imaturas e maduras, mas somente em cérebros doados em autópsia. “Existem hoje métodos que permitem estudar células únicas, chamadas ‘single cell RNA sequencing’, e com isso identificar marcadores genéticos específicos.”

Essa técnica de célula única, que está sendo cada vez mais utilizada, vem aumentando a compreensão sobre os mecanismos responsáveis por várias características humanas, mas infelizmente seu alto custo limita o uso em pesquisas. “Espero que ela se torne mais acessível, porque temos muita curiosidade em entender muitos dos fenômenos humanos”, finaliza.


Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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