Segundo o professor Octávio Pontes Neto, o AVC pode comprometer a visão com muito mais frequência do que se imagina. De acordo com diretriz da European Stroke Organisation, até três em cada quatro sobreviventes apresentam algum tipo de alteração visual causada pelo próprio acidente vascular cerebral.
Entre os principais problemas estão a redução da visão central, alterações nos movimentos oculares — que podem provocar visão dupla —, perda de campo visual e negligência visual, quando o paciente tem dificuldade de perceber estímulos em parte do campo de visão. Um exemplo comum é a hemianopsia, caracterizada pela perda de metade do campo visual, muitas vezes sem que o paciente perceba.
O diagnóstico precoce é essencial, já que há possibilidades de tratamento e reabilitação, como exercícios de exploração visual, uso de prismas, treinamento de leitura e terapia ocupacional. Mesmo sem recuperação total, a neuroplasticidade permite que o cérebro aprenda a compensar as perdas. O alerta é que o AVC não afeta apenas fala e movimento, mas também pode transformar profundamente a forma como a pessoa enxerga o mundo.
O minuto do Cérebro
A coluna O minuto do Cérebro, com o professor Octávio Pontes Neto, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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