O foco do comentário de Glauco Arbix para esta sua coluna é o “braço de ferro” entre o Departamento da Defesa dos Estados Unidos e a Anthropic, criadora do Cloud e uma das mais poderosas plataformas de IA. “A Anthropic se opôs ao uso indiscriminado que o Departamento da Guerra queria fazer de seus sistemas. Em especial, a utilização do Cloud nas operações com armas automáticas letais, sem supervisão humana e em sistemas de vigilância em massa, inclusive no interior dos Estados Unidos. A Anthropic invocou para essa negativa o seu código de ética.” O problema, contudo, é que isso acabou gerando uma reação do governo Trump, que classificou a empresa como de risco para a segurança nacional e, como se não bastasse, bloqueou seus contratos com a indústria de defesa dos EUA. Não satisfeito, o ministro da Defesa acusou a Anthropic de traição.
” A expertise da Anthropic, porém, não pode ser facilmente descartada. O jornal Wall Street acaba de relatar que o exército dos Estados Unidos usou o Cloud, o modelo da Anthropic, para coordenar seus ataques no Irã para selecionar alvos e realizar simulações em campo de batalha. Esse confronto expôs diferenças entre o Vale do Silício, as empresas de tecnologia, e Washington, em um momento em que a indústria parecia estar em completa sintonia com a agenda tecnológica de Trump […] Para a população, no entanto, na base da polêmica existe a realidade que a IA está se desenvolvendo muito rapidamente, e aí joga o mundo numa insegurança muito grande; mostrou que a IA subverteu o modelo em que o Estado comandava a pesquisa e as empresas fabricavam aquilo que o Estado produzia, do ponto de vista de tecnologia. Hoje, não é bem assim, as empresas estão na vanguarda. Isso já havia acontecido antes com as universidades, que perderam o protagonismo para as big techs.”
“Veja, a Anthropic não é contra fornecer sistemas de IA para a indústria de defesa. Ela se posicionou contra o uso indiscriminado para armas letais, sem supervisão humana, e para a vigilância em massa. Há resistência de muitos pesquisadores, o sindicato de trabalhadores das big techs se pronuncia, claro, firmemente contra esse tipo de atuação do governo. Me parece improvável, porém, que as empresas abram mão desses contratos, que valem bilhões de dólares.”
Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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