
No ano de 1966, Gladson de Oliveira Silva, ou simplesmente, Gladson, iniciava sua jornada na capoeira. Desde então, entre meias luas, rasteiras e martelos – movimentos e golpes da capoeira – tem ensinado e formado mestres pelo Brasil. Hoje, quase 60 anos depois, mestre Gladson tem novamente seu trabalho reconhecido e será um dos homenageados no 13° Berimbau de Ouro. A premiação acontecerá em Salvador, entre os dias 26 e 28 de fevereiro.
Para o mestre, a premiação é motivo de felicidade e gratidão. “Fiquei muito feliz e agradecido, por ser lembrado, juntamente com grandes e valorosos amigos da nossa arte e cultura brasileira.”
“Esta homenagem tem um significado muito importante para mim. Mostrou que, mesmo entre falhas e acertos, trabalhando com a nossa cultura, conseguimos realizações importantes que mostram os verdadeiros valores e potência da nossa arte para a melhoria do ser humano como um todo.”
Criado em 2008 pelo mestre Máximo, de Salvador, o Berimbau de Ouro é uma premiação anual que homenageia e reconhece mestres, praticantes, movimentos sociais, instituições e agentes sociais e culturais, pesquisadores e artistas pela sua contribuição para a valorização, difusão e preservação da capoeira regional, nacional e internacional.
“São anos de diversidade étnica, de gênero, social, de estilo de capoeira, de território. Não é uma competição, é uma organização da sociedade civil. Uma consagração cíclica de caráter honorífico e celebrativo que agrega nomes de referências ligadas diretamente e indiretamente à capoeira”, afirma ao Jornal da USP Henrique Kohl, o mestre Tchê, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e um dos conselheiros do prêmio.

Segundo ele, “pode parecer contraditório, mas todos os anos há uma aparente inquietação para que chegue a próxima edição, porque há muitas pessoas boas para indicar. E o questionamento sempre foi: por que ainda não indicamos mestre Gladson?”, conta o professor.
Uma vida dedicada à capoeira
Foi no número 1.351, da Rua Augusta, que mestre Gladson deu seus primeiros passos na capoeira sob orientação do mestre Paulo Gomes e, posteriormente, no número 1.030, na Associação Kpoeira do mestre Airton Neves Moura, o mestre Onça, aluno de mestre Bimba, o criador da capoeira regional.
Mesmo depois de tantos anos dedicados à capoeira, mestre Gladson se considera um “eterno aprendiz na universidade da vida”. Responsável por implementar a capoeira no Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp) em 1972, quando apresentou a proposta de trabalho de implementar a capoeira como atividade física.
“Nesta minha longa trajetória com a capoeira muitos foram os momentos que estão guardados no âmago do meu ser. Principalmente, quando iniciamos nossos Congressos e Clínicas de Capoeira no Cepeusp, com a vinda dos ícones da capoeira da Bahia e do Rio de Janeiro. Verdadeiros momentos de crescimento físico, espiritual e material”, relembra mestre Gladson alguns dos momentos importantes da capoeira em sua vida.
Ainda que aposentado, o mestre mantém ativos projetos e ações ligadas ao esporte, como o Projeto Porta Aberta, no bairro do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, voltado para crianças carentes, que hoje compõem o corpo docente e também são mestres e doutores. O mestre também é um dos fundadores da Federação Paulista de Capoeira, é membro do conselho de mestres e do Departamento de Educação da Associação Internacional de Capoeira (ICA – na sigla em inglês).
Berimbau de Ouro
Neste ano, o Berimbau de Ouro chega a sua 13° edição. O patrono deste ano é o mestre Sombra, de Santos, São Paulo. Sombra foi precursor da organização e expansão da capoeira na Baixada Santista e da formação da Associação Capoeira Senzala, nos anos 1970. Participou ativamente da elaboração do antigo Projeto Capoeira nas Escolas, de 1992 a 1996, em Santos.
Natural de Sergipe, mestre Sombra também foi um dos responsáveis pela expansão e internacionalização da capoeira e tem alunos lecionando na Espanha, Reino Unido, Portugal, Grécia, Holanda, Alemanha e França. As indicações para premiados e homenageados para o Berimbau de Ouro são feitas pelos conselheiros e pelo próprio mestre Máximo.
Confira a programação
26 de fevereiro – a partir das 18 horas
Museu Eugênio Teixeira Leal, Salvador
– Roda de abertura;
– Exibição de vídeo;
– Roda de conversa com mestres e agentes culturais.
27 de fevereiro – a partir das 18 horas
Museu Eugênio Teixeira Leal, Salvador
– Abertura com Mestra Lene;
– Samba rural Cultura Ativa (Feira de Santana);
– Entrega das estatuetas;
– Roda de capoeira angola.
28 de fevereiro – a partir das 9 horas
Forte Santo Antônio Além do Carmo (Forte da Capoeira)
– Exibição do filme Pastinha! Uma vida pela Capoeira, dirigido por Toninho Muricy.
*Estagiário sob a supervisão de Antonio Carlos Quinto






















