Flexibilidade no trabalho: o segredo para produtividade e bem-estar

Adotar o modelo de salário por hora e jornadas flexíveis pode ser mais vantajoso para o trabalhador e para a economia do que a simples redução da escala 6 por 1

 25/02/2026 - Publicado há 5 meses

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O fim da escala de trabalho 6×1, atualmente em discussão, no Congresso, é o tema desta coluna de Luciano Nakabashi. “Uma das coisas que é bastante atrativo para o trabalhador é justamente a flexibilidade. Se ele quer trabalhar dez horas por semana, 20 horas, 30 horas, ele escolhe a própria jornada de acordo com a disponibilidade. E tem pessoas que têm mais disponibilidade, tem pessoas que têm menos disponibilidade, isso vai depender muito do [seu] ciclo de vida, se ela é mais jovem, se ela está com filhos, se ela já está na terceira idade. Essa flexibilidade acaba sendo mais importante do que a questão da redução da carga máxima por semana.” Em termos estritamente econômicos, os efeitos, conforme o colunista, seriam pequenos, “porque os que são mais afetados são as pessoas que ganham um salário baixo, uma grande maioria, salário mínimo. O custo acaba sendo relativamente pequeno. Se você vai contratar uma pessoa por 44 horas ou 40, você vai substituir, vai ter que ter provavelmente mais pessoas trabalhando, mas a um custo relativamente baixo. E é claro que, para esses trabalhadores, acaba sendo importante. É importante você dar condições de trabalho que não sejam muito extenuantes para as pessoas, até para que possam ter um pouco mais de tempo de lazer, um pouco mais de tempo com os filhos, que isso acaba sendo importante na qualidade de vida e na criação dos filhos”.

Para Nakabashi, essa flexibilização acaba sendo boa também para as empresas, “que muitas vezes também não precisam de pessoas 40 horas por semana, 44 horas por semana, mas precisam, em determinados horários, de mais ou de menos pessoas, porque você tem mudanças ali na demanda por trabalho ao longo do dia e ao longo da semana. As demandas são diferentes, e [com] essa rigidez que a gente tem no mercado de trabalho brasileiro […] você acaba deixando uma mão de obra muitas vezes ociosa, o que aumenta o custo para a empresa, porque você mantém as pessoas com salário baixo, mas uma boa parte do tempo ociosas, enquanto que, se você desse mais flexibilidade, seria até possível aumentar mais o salário mínimo das pessoas, porque você vai conseguir trabalhar com menos ociosidade, e aí vai aumentar a produtividade do trabalho. Seria muito importante a gente pensar em fazer reformas para trazerem mais flexibilidade. É claro que também é sempre pensando no bem-estar dos trabalhadores e naqueles que têm um salário muito baixo. Mas aí a gente também tem que pensar sobre a ótica da qualificação desses trabalhadores, para poder aumentar a produtividade e aumentar o salário”.


Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar quinzenalmente,  quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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