
Desde 2023, o estado de São Paulo, através da Secretaria de Esportes, injetou cerca de R$ 17 milhões no programa Talento Esportivo, visando ampliar o alcance e incentivar o esporte desde a base até o alto rendimento, sustentando jovens promessas até atletas de elite. O objetivo do programa é proporcionar condições para o aprimoramento dos atletas que já possuem um destaque prévio em competições estaduais, nacionais ou de alto rendimento, que possam representar o estado e o Brasil futuramente. Nesse período, o pico de atendimentos nas quatro categorias – estudantil, juniores, nacional e internacional – foi de 756 atletas. Em 2025, a média mensal foi de 600 atletas ativos.

Ivan Furegato, professor da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP), comenta o impacto real desse auxílio na carreira de um atleta. “Essa colaboração vem para oferecer uma tranquilidade maior para o atleta, no sentido de ser uma fonte de renda constante do próprio governo. A partir do momento que o atleta é aprovado e começa a fazer parte do programa, ele vai receber, durante um ano geralmente, uma quantia garantida mensalmente. Isso, de certa forma, permite que o atleta tenha uma programação para praticar os treinos, ter uma estrutura de apoio, suporte nutricional, psicológico, fazer uma academia complementar, melhorar a alimentação, comprar equipamentos, materiais, viagens, etc.”
“O impacto é direto e real, porque esse projeto do estado de São Paulo, mesmo o Bolsa Atleta, que é em nível federal, foram criados e cumprem esse papel de dar uma garantia financeira para o atleta, para evitar situações em que o atleta de alto rendimento tenha que dividir o foco dele dos treinos e competições com alguma outra atividade profissional. Então, o programa permite com que o atleta foque na sua atividade esportiva, e com isso ele consiga ter um melhor desempenho, já que ele está concentrado nos treinos e nas competições”, adiciona Furegato.
Burocracia e integração de novos atletas
O professor conta que o dinheiro oferecido pelo auxílio é bem distribuído, mas que a burocracia para participar do programa pode dificultar a adesão de novos atletas. “O auxílio é pago diretamente ao atleta como pessoa física ou pessoa jurídica, se ele tiver uma pessoa jurídica em nome dele, como preveem os editais. Então, é bem difícil esse dinheiro se perder em burocracias. O que às vezes acontece, tanto em nível federal quanto estadual, é a burocracia para participar. O atleta não tem o conhecimento desses projetos, programas, e a complicação para ele se inscrever, apresentar documentos, cumprir os prazos, que às vezes são justos, apertados, acaba, às vezes, dificultando a adesão de novos participantes.”
O público-alvo do Talento Esportivo são atletas matriculados em escolas públicas/privadas, de alto rendimento e destaques em competições estaduais ou nacionais. Os requisitos para se inscrever são: estar vinculado a entidades esportivas paulistas há pelo menos um ano, não estar inscrito em programas similares e ter comprovação de resultados/rankings. As inscrições são realizadas no site da Secretaria de Esportes de SP ou Poupatempo e este ano estão previstas para iniciarem em fevereiro.
Indicadores de sucesso e o impacto na sociedade
Furegato também ressalta quais são os indicadores de sucesso do programa, além das medalhas, e como o sucesso dos atletas pode impactar o restante da sociedade. “Além do número de medalhas, que é um indicador sempre relevante, mas não pode ser o único, temos que exaltar a melhoria nos rankings e de performances, a quantidade de horários e registros de carga de treinamento, os acompanhamentos nutricionais/psicológicos, a participação em competições e outros aspectos que mostram a melhoria na dedicação dos atletas.”
Por fim, é importante destacar o impacto que o sucesso desses competidores oferece para a sociedade e como pode influenciar a vida de diversas pessoas. “Eles acabam se tornando exemplos para a comunidade, o clube que ele faz parte, e, se ele tem um destaque maior, até para o País como um todo. Desse modo, são figuras que fazem com que a sociedade veja a importância do esporte, estimula a população a praticar e a crianças entrarem na modalidade que praticam ou até em outras.”
*Sob supervisão de Paulo Capuzzo
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