Com o avanço da idade, nossos tecidos vão envelhecendo. Isso ocorre por meio de um processo epigenético conhecido como metilação do DNA, ou seja, a adição ou a remoção de marcadores chamados grupos metil. O resultado são alterações na expressão gênica ligadas à redução da função dos órgãos e ao aumento da suscetibilidade a doenças à medida que as pessoas envelhecem.
Um novo estudo, publicado por cientistas australianos (e ainda não revisado por outros cientistas), mostra que o envelhecimento é diferente entre os vários tecidos do nosso corpo e que algumas pessoas envelhecem mais rapidamente do que outras.
Os pesquisadores fizeram uma metanálise de alterações epigenéticas em 17 tipos de tecidos humanos diferentes ao longo de toda a vida adulta e criaram um atlas epigenético, considerado até agora o panorama mais abrangente da influência do envelhecimento na modificação dos genes.
“Eles [os pesquisadores] analisaram alterações em 900 mil sítios de metilação e observaram uma grande variabilidade entre os tecidos”, explica Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP. “Mas é importante lembrar que isso é apenas um começo porque, como já mencionei, temos 30 milhões de sítios de metilação em nosso genoma, e eles analisaram cerca de 3% deles.”
“A boa notícia é que, em um trabalho anterior do mesmo grupo, os autores observaram que o exercício físico, além de atuar nos músculos, está associado a um padrão de metilação mais jovem em todos os tecidos. É mais um motivo para não deixarmos de ter atividade física”, conclui.
Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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