Pesquisadores chineses relataram, em um artigo publicado na revista Nature Medicine, o primeiro caso de um xenotransplante de pulmão. O órgão foi transplantado para um indivíduo em morte cerebral e se manteve viável por 216 horas.
O pulmão, retirado de um suíno geneticamente modificado, tinha seis genes editados. O objetivo dos autores foi verificar a ocorrência de rejeição hiperaguda, falha do enxerto e ocorrência de infecção.
Apesar de ser considerado um grande passo para a ciência, vários parâmetros revelaram que ainda há obstáculos a serem ultrapassados. “Diferentemente do coração e do rim, o pulmão é um órgão muito mais complexo anatomicamente e na sua fisiologia”, explica a diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP. “O fato de haver no pulmão um grande fluxo de sangue e exposição ao ar externo o torna mais suscetível a reações imunológicas e infecções.”
A ideia inicial do xenotransplante, proposto pelo médico Silvano Raia, era usar rins, coração, pele e córneas dos suínos geneticamente modificados. “Mas já estão sendo feitos experimentos com fígado e pulmão, por enquanto, em pacientes com morte cerebral”, finaliza Mayana.
Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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