
Os três novos titulares da Cátedra Olavo Setubal – Transversalidades: Arte, Cultura, Ciência e Educação tomaram posse oficialmente nesta segunda-feira, dia 18 de agosto, na Sala do Conselho Universitário. Anunciados em abril deste ano, Nísia Trindade Lima, Alemberg Quindins e Fernando José de Almeida darão início ao mandato de um ano de duração.
“Os novos catedráticos vêm para trazer conhecimentos e visões de mundo diferentes, mas que irão convergir para responder questões importantes da nossa sociedade. Ter cátedras como esta presentes na Universidade contribui para o debate de temas cada vez mais relevantes para o Brasil. É uma iniciativa de muita importância e que tem perdurado ao longo dos anos”, celebrou o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior.
A Cátedra Olavo Setubal é associada ao Instituto de Estudos Avançados (IEA), em parceria com a Fundação Itaú, e busca operar a interdisciplinaridade e o conhecimento crítico e colaborativo, mantendo seu compromisso com novas formas de pesquisa na transdisciplinaridade. Martin Grossmann, coordenador da cátedra, explicou que a formação da trinca de titularesbuscou se apoiar em conceitos de territorialidade, formação e diversidade, considerando também problemas históricos e sistêmicos que afetam grande parte da população brasileira, como a desigualdade social. “Os três são formadores natos, educadores com perfis muito diversos, atentos à contextualidade e à territorialidade dos processos nos quais têm e tiveram participação central, integral e afetiva. Líderes sensíveis, dialógicos, atentos ao trabalho perseverante, coletivo e integrado em rede. Vêm participando da formulação de políticas culturais, educativas e de saúde de âmbito municipal, estadual e nacional. Conhecem profundamente o seu lugar, a sua cidade, o seu território e o Brasil. Estão aterrados e antenados a este planeta”, declarou.
A diretora do IEA, Roseli de Deus Lopes, falou sobre a importância da união entre termos da educação, ciência, saúde, arte, cultura e meio ambiente, destacando o papel dessa pluralidade de conhecimentos: “Aqueles que estão conosco ao longo desse percurso são importantes para que consigamos trazer conhecimentos de pessoas que vivem em contextos diferentes, entendendo como são as características de cada território. A partir de todo esse trabalho, podemos endereçar essas questões e gerar mais conhecimento, para que as autoridades possam tomar decisões baseadas em conhecimentos de qualidade”.

Além dos titulados, o evento contou com a participação da vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda; da socióloga e filha de Olavo Setubal, Neca Setubal; do presidente da Fundação Itaú, Eduardo Saron; e das ex-catedráticas Arissana Pataxó e Eliana Souza Silva.
Os titulares

Alemberg Quindins, músico popular e fundador da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, ressaltou, emocionado, que “enquanto existirem florestas nesse mundo, haverá encanto, e enquanto existirem crianças, existirá inocência. Essas são as coisas mais potentes que existem”.
O empreendedor social também falou sobre a importância de um olhar mais cuidadoso para o Brasil. “Precisamos visitar e andar pelo nosso País, para que nossas lições não fiquem desatualizadas. A maior missão que temos neste planeta é a de torná-lo um lugar educativo; daí a importância desses territórios geológicos para a educação brasileira. É importante que a escola seja o território e que as crianças possam acessá-lo através da educação”, completou.

Nísia Trindade Lima, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de 2017 a 2022 e ex-ministra da Saúde, celebrou as oportunidades de aprendizado e troca em sua participação na Cátedra. “Na Universidade, nós temos que abraçar essa visão de conhecimento e troca. São tempos desafiadores, que exigem muito das nossas instituições de pesquisa. Assim como na Segunda Guerra Mundial, a ciência está fortemente em ‘xeque’: então, essa articulação entre ciência, cultura e sociedade é algo transformador, além de um direito à inclusão”, afirmou a socióloga.
Fernando José de Almeida, educador e ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, evocou a memória do patrono Olavo Setubal como resultado de uma escolha “do coração”: “A memória é o núcleo original da identidade. A escolha da cultura, da educação e do território é uma escolha do coração. Devemos deixar de ver o território como um lugar de terror e transformá-lo em algo que é apaixonante: afinal, não há democracia sem território e sem um planejamento territorialmente democrático e humanizado”.

O catedrático finalizou com um recado de continuidade do legado deixado por Setubal: “A escola é o lugar do culto à produção de conhecimento. Sua tarefa é fazer com que todos sejam capazes de descrever, conhecer, memorizar, articular, somar e criticar alguma coisa lá no fundo da cadeia de sofisticação do pensamento. Buscamos, nesta Cátedra, trazer o aprendizado como uma relação social de significados e pertencimento ao território. Quanto mais eu pertenço, mais eu conheço”.
A Cátedra Olavo Setubal – Transversalidades: Arte, Cultura, Ciência e Educação existe desde 2015 e conta com uma parceria institucional com a Fundação Itaú (que contempla o Itaú Cultural, o Itaú Educação e Trabalho e o Itaú Social). Mais informações sobre a Cátedra estão disponíveis no site do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.
*Estagiária sob supervisão de Erika Yamamoto
























