USP SUSTENTÁVEL

Podcast discute como a popularidade das capivaras pode beneficiar a natureza

Histórias da Floresta: e Eu com Isso? reúne convidados para falar como veem a grande exposição da espécie na atualidade e de que forma isso pode ajudar na sua preservação

 18/08/2025 - Publicado há 9 meses
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Grupo de capivaras próximas ao lago e ao fundo vários prédios
Capivaras na Raia Olímpica da USP, no campus do Butantã, em São Paulo – Foto: Julio Cesar Bazanini/USP Imagens

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logomarca redonda verde da iniciativa USP SustentávelCom o objetivo de abordar questões referentes à floresta e ao meio ambiente e sua relação com os seres humanos, o podcast Histórias da Floresta: e Eu com Isso? aborda, em seu quinto episódio, as famosas capivaras. Produzido pelo projeto Corredor Caipira, coordenado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, traz como convidados Alexandre Percequillo, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Esalq e zoólogo especialista em mamíferos, e Jéssica Lane, jornalista especialista em marketing e membro da equipe de comunicação do Corredor Caipira. Com apresentação de Rafael Bitencourt e trilha sonora assinada por DJ Junião, que transporta o ouvinte para as florestas. Desde o quarto programa, conta também com a parceria da TV USP Piracicaba e passa a ser exibido em vídeo. Veja todos os episódios clicando aqui

O tema do episódio é As capivaras estão com tudo! Mas isso é bom para as florestas? e reflete sobre a exposição do animal na atualidade e de que forma isso pode contribuir como marketing para ajudar na preservação e na conscientização ambiental. As capivaras são os maiores roedores viventes e eram, até pouco tempo atrás, cerca de duas décadas, desconhecidas do grande público, como conta o professor no podcast, acrescentando que a espécie estava restrita a biólogos e veterinários. Mas, segundo ele, passaram a ocupar parte do nosso cotidiano ao começarem a habitar, por exemplo, os rios da cidade de São Paulo, ao longo do Pinheiros e do Tietê, e povoar o interior do Estado de São Paulo, aparecendo também em grandes capitais do Brasil. Como ele diz, elas aprenderam a conviver nesses ambientes urbanos. 

“Fenômeno mais complexo é que, além desse ambiente nativo que esses animais vivem no Brasil e na América do Sul, de forma geral, [as capivaras] se tornaram uma febre mundial”, destaca o professor. “As pessoas começaram a tratar esses animais como superestrelas do mundo animal. Nas redes sociais, sempre tem alguma coisa sobre capivaras”, afirma. “Elas foram ocupando esse espaço no nosso convívio e também no nosso imaginário de que é um animal fofinho, que chama a atenção, como um ‘porquinho-da-índia gigante’.” Ele explica que a semelhança é porque são da mesma família: “São grupos muito próximos do ponto de vista da evolução biológica; são animais herbívoros, que acabaram se dando bem em várias dessas paisagens porque são muito resistentes”. São animais que têm hábitos semiaquáticos, que evoluíram em ambientes abertos, associados à água e gramíneas; encontrados em regiões como Pantanal e de forma menos abundante em florestas, como a Amazônia, relata o professor, explicando que é na água que eles procuram abrigo, se protegendo de predadores. 

Para o marketing, são fofos, simpáticos, “prato cheio para trazer como animal símbolo” de conscientização e preservação do meio ambiente, diz Jéssica no podcast. “Com a popularização das redes sociais, principalmente por meio de vídeos curtos, as pessoas mostram seus cotidianos, e as capivaras fazem parte dele. E isso foi se popularizando e se tornando um símbolo nacional”, afirma a jornalista. Segundo ela, o Brasil é o segundo país que mais consome internet, são cerca de 9h13 por dia, perdendo somente para a África do Sul. “O nosso conteúdo vai muito longe porque usamos muito a internet, e isso ajudou a popularizar a espécie no mundo.”

Clique no player abaixo para conferir o episódio:

Outros episódios

O tema do episódio quatro, Combatendo as mudanças climáticas no município, debate a importância de políticas voltadas ao combate das mudanças climáticas e como o Corredor Caipira se insere nesse processo. O terceiro mostra a importância da realização de mutirões de plantio, com a implantação de SAFs (Sistemas Agroflorestais) em um processo que reúne diversidade de espécies, possibilita a produção de alimentos e conecta pessoas, trabalho realizado pelo Corredor Caipira. O episódio está disponível neste link.

As queimadas em diferentes partes e biomas do Brasil chamaram a atenção de toda a população e tiveram grande repercussão em um período de estiagem severa e umidade do ar muito baixa. O que as queimadas geram para a vegetação? Qual o impacto do fogo nas áreas florestais e na fauna? Áreas queimadas ficam mais suscetíveis a novos incêndios? Essas questões são respondidas no segundo episódio, disponível clicando aqui. E o primeiro aborda os eventos climáticos extremos, como os temporais e enchentes que ocorreram no Rio Grande do Sul, atingindo centenas de milhares de pessoas, causando mortes e deixando famílias desalojadas, e reflete sobre a relação entre a falta de florestas e a ocorrência desses eventos. Confira neste link.

O projeto

Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas é um projeto realizado pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e pelo Núcleo de Cultura e Extensão em Educação e Conservação Ambiental (Nace-PTECA) da Esalq. Aprovado no Programa Petrobras Socioambiental, passou a contar com o patrocínio da Petrobras. Entre os parceiros, estão comunidades locais, pesquisadores, educadores, empresas, instituições de pesquisa e órgãos ambientais da esfera pública. 

O projeto tem como objetivo estabelecer no total, até 2028, 115 hectares de florestas e agroflorestas, formando corredores ecológicos para conectar importantes fragmentos florestais nos municípios de Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Santa Maria da Serra e Anhembi, no interior de São Paulo. Dos 115 hectares, já foram implantados 50 em sua primeira edição (2021-2022). Além disso, no mesmo período, foi criado um Banco Ativo de Germoplasma de 15 hectares, para a conservação genética de 20 espécies florestais nativas com relevância econômica e ecológica. 

Ao criar corredores ecológicos, que vão unir fragmentos florestais atualmente isolados, essas áreas representarão contínuos ambientais importantes para processos ecológicos, como polinização e dispersão de frutos e sementes. Segundo o site, o intuito é também conectar pessoas às paisagens por meio da realização de iniciativas educadoras e da articulação de políticas públicas, valorizando a rica cultura local e integrando a comunidade com esse corredor. 

Para acompanhar as atividades do Corredor Caipira acesse o site, o Instagram, o Facebook, e o canal do YouTube 

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