

A distribuição alimentar é um dos componentes essenciais da transição dos sistemas agroalimentares no mundo. A forma como os alimentos chegam até os consumidores e entendemos os responsáveis por essas decisões é fundamental para compreendermos as rotinas alimentares de cada sociedade e o impacto disso nas nossas escolhas e na sustentabilidade do sistema agroalimentar.
O segmento da distribuição de alimentos é parte do que é conhecido como ambiente alimentar, sendo composto de atividades de logística e comercialização. Walter Belik, professor titular da Universidade Estadual de Campinas, um dos fundadores do Instituto Fome Zero e parceiro da Cátedra Josué de Castro, comenta que a forma de acesso aos alimentos é determinante sobre a dieta das famílias.
Os supermercados
O abastecimento alimentar é dependente de diversos fatores, como sazonalidade, disponibilidade, distância de fornecimento e manipulação. “Conseguir conciliar todos esses elementos de forma a garantir o suprimento permanente de alimentos saudáveis, culturalmente compatíveis com as preferências de cada grupo social e com o seu poder aquisitivo, é uma tarefa muito complicada”, afirma o professor.
Nesse sentido, os supermercados exercem papel importante na distribuição de alimentos. Ao longo do tempo, os consumidores passaram a valorizar o estabelecimento, por conta de sua praticidade e facilidade em encontrar todos os tipos de produto, necessários no dia a dia, em um mesmo espaço. Entretanto, de acordo com Belik, o crescimento dessas instituições foi acompanhado pela perda de referências a respeito do melhor conhecimento sobre os alimentos que consumimos, tais como seus valores nutricionais e suas origens.
Organização
Para que a organização dos supermercados seja rentável, os estabelecimentos optam por produtos alimentares de poucos fornecedores, em larga escala, o que barateia os custos, mas afeta as possibilidades de compra dos clientes. “Esse tipo de operação diminui as possibilidades de suprimento por parte de fornecedores. Do lado do consumidor, há um estreitamento nas escolhas, restringindo também o conhecimento e o acesso a um conjunto maior de atributos dos alimentos”, diz o docente.
A organização atual da distribuição alimentar no País é dual e possui tanto aspectos positivos quanto negativos. Para Belik, a urbanização das cidades brasileiras tem gerado questões e discussões a respeito de novas formas de abastecimento. Nos novos espaços urbanos, formas tradicionais de comércio, como feiras e quitandas têm perdido cada vez mais espaço. As mudanças nos hábitos dos consumidores e as dificuldades da operação dessas instalações afetam essa organização de pequenos comércios.
Apesar disso, o professor ressalta que esse cenário não é fixo e pode ser alterado. “Assim como o pequeno comércio pode ser modernizado pela atuação mais presente das Centrais de Abastecimento e das novas tecnologias de informática e logística, os supermercados poderiam atuar incentivando os circuitos curtos e uma maior aproximação com a identidade cultural das regiões onde atuam. Esses dois movimentos permitiriam eliminar a presença de desertos e pântanos alimentares nas cidades, proporcionando um abastecimento com alimentos saudáveis a preços justos.”
*Sob supervisão de Cinderela Caldeira
Jornal da USP no Ar
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 12h40, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular.
























