Donald Trump e a lei de inteligência artificial

A decisão do presidente americano apenas exige que as empresas de tecnologia se perfilem e apliquem as orientações políticas, as visões e a ideologia do próprio governo

 05/08/2025 - Publicado há 7 meses

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acaba de editar aquilo que ficou chamado como a lei da inteligência artificial, assim como uma série de decretos voltados para ganhar a competição com a China, diminuir a regulamentação da IA e orientar as empresas a eliminarem qualquer diferença a regras contra a desinformação, diversidade, equidade, inclusão e mudanças do clima. Ao comentar sobre isso em sua coluna, o professor Glauco Arbix diz que a nova lei americana afirma claramente que as empresas têm que buscar modelos de inteligência artificial neutros, que não sejam preconceituosos ou tendenciosos. As decisões também definem que o governo americano só comprará modelos de inteligência artificial que sejam neutros e apartidários e que será rejeitada qualquer tentativa de cobrar direitos autorais dos dados e notícias utilizados para treinar os modelos.

“Na realidade, a decisão do presidente americano apenas exige que as empresas de tecnologia se perfilem e apliquem as orientações políticas, as visões e a ideologia do próprio governo, apesar de dizer o contrário. Ao explicar a lógica do decreto, Trump afirmou que esses temas não são desejados pelo povo americano. Ele decidiu e disse mais, que o governo federal não vai regulamentar a IA no mercado privado e que as compras federais têm obrigação de não adquirir modelos que sacrifiquem a veracidade e a precisão em nome de agentes ideológicos.” De acordo com o colunista, tudo isso seria até positivo, “se o governo não buscasse impor a censura de temas que considera negativos ou que não são do gosto do presidente americano. As decisões tomadas lá em terras americanas certamente vão repercutir no terreno internacional, principalmente porque as empresas fortalecidas agora, mais liberadas, vão entrar em conflito com as legislações nacionais já existentes. As decisões dos Estados Unidos mal saíram do forno e já começaram apelos de grandes empresários e inventores para que o governo dos Estados Unidos enfrente a legislação da União Europeia, muito mais restritiva que a americana. O mesmo vale para as posições já assumidas pelo Supremo ou pelo Congresso Brasileiro, que já vive uma situação de forte estresse com o ideológico tarifaço de Trump. Haja coragem”.


Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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