USP recebe Ilan Pappe, historiador israelense que denuncia o genocídio na Palestina

Autor de livros sobre a questão palestina, Pappe chega a São Paulo após a Flip para participar de dois eventos promovidos pelo Centro de Estudos Palestinos

 04/08/2025 - Publicado há 9 meses
Sentados em poltronas, um homem idoso e uma mulher conversam
Na Flip, o historiador Ilan Pappe falou sobre as origens antissemitas do projeto de limpeza étnica da Palestina árabe. A conversa contou com a mediação da professora Arlene Clemesha (à direita) – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

Conhecido por sua postura crítica ao governo de Israel e à ocupação da Palestina, o historiador israelense Ilan Pappe estará na USP nesta semana para duas atividades. Na terça-feira, 5 de agosto, Pappe ministrará a palestra Palestina: da maior prisão do mundo ao campo de extermínio, na Casa de Cultura Japonesa, na Cidade Universitária, em São Paulo. Na quarta, 6 de agosto, o historiador participa do evento Da limpeza étnica ao genocídio na Palestina, na Faculdade de Direito (FD), no centro da capital paulista. Ambos são organizados pelo Centro de Estudos Palestinos (Cepal), vinculado à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Nascido em Haifa, filho de judeus alemães fugidos da perseguição nazista, Ilan Pappe é especialista na história contemporânea de Israel. Foi professor sênior na Universidade de Haifa entre 1984 e 2006. Em 2007, foi demitido devido à sua solidariedade com a Palestina. Hoje, vive na Inglaterra e é professor na Universidade de Exeter, onde dirige o Centro Europeu de Estudos Palestinos.

Com 26 livros publicados, Pappe está no Brasil promovendo seu mais recente título, A maior prisão do mundo: uma história dos territórios ocupados por Israel na Palestina, publicado pela Editora Elefante. Apoiado majoritariamente em fontes israelenses, o livro se dedica a desmontar a narrativa de que o genocídio em Gaza é uma resposta aos ataques do Hamas perpetrados em outubro de 2023. Segundo o autor, a atual campanha militar na Faixa de Gaza é apenas o estágio mais recente de um projeto colonial de limpeza étnica formulado na primeira metade do século 20 e colocado em prática em diversos momentos a partir de 1948.

A turnê de Ilan Pappe pelo Brasil não tem se dado sem controvérsias. Segundo Tadeu Breda, editor da Elefante, o “lobby sionista” tentou inviabilizar a agenda de palestras de Pappe no Brasil, o que resultou em um evento cancelado. Apesar disso, o historiador fez sua conferência na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) na última sexta-feira (1º) e segue para São Paulo para compromissos que incluem as duas datas na USP. “O lobby sionista o acompanha pelo mundo todo, com a intenção de boicotá-lo ou, ao menos, restringir as audiências dispostas a ouvi-lo e o impacto do que tem a dizer. No Brasil não está sendo diferente”, escreveu Breda no site da editora.

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Na palestra do dia 5, na Casa de Cultura Japonesa, o historiador israelense discorrerá sobre o histórico da situação na Palestina, cobrindo a colonização sionista, o apartheid, a ocupação, a limpeza étnica e o atual genocídio em Gaza. A mediação será feita por Arlene Clemesha, professora da FFLCH e diretora do Cepal, e Lissa Marchesini, representante discente do CEP. A palestra terá tradução simultânea.

Já no dia 6, Pappe fará a palestra de abertura do evento que contará também com um debate sobre a situação atual na Palestina. Participarão do debate Arlene Clemesha, Francisco Rezek (ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e das Relações Exteriores), Júlia Wong (presidenta do Centro Acadêmico XI de Agosto, da FD), Maira Pinheiro (advogada formada pela FD), Paulo Casella (professor de Direito Internacional Público na FD e membro do Fórum Permanente sobre Genocídios e Crimes contra a Humanidade da USP), Paulo Sérgio Pinheiro (professor aposentado do Departamento de Ciência Política da FFLCH e ex-ministro da Secretaria de Estado de Direitos Humanos), Soraya Misleh (jornalista palestino-brasileira e dirigente da Frente Palestina São Paulo) e Ualid Rabah (advogado e presidente da Federação Árabe Palestina). Também será exibida uma mensagem em vídeo de Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados.

Os dois eventos são abertos ao público, sem necessidade de inscrição.

Serviço

Palestina: da maior prisão do mundo ao campo de extermínio
Quando: 5 de agosto de 2025, às 18h.
Local: Casa de Cultura Japonesa (Av. Prof. Lineu Prestes, 159, Cidade Universitária, Butantã, São Paulo – SP).
Realização: Centro de Estudos Palestinos da FFLCH e Editora Elefante.
Com tradução simultânea.

Da limpeza étnica ao genocídio na Palestina
Quando: 6 de agosto de 2025, às 10h.
Local: Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito da USP (Largo São Francisco, 95, Centro, São Paulo – SP).


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