Uma nova pesquisa publicada recentemente na revista Nature Biomedical Engineering mostrou que uma vacina de mRNA poderia aumentar a resposta imune do organismo para o tratamento de tumores sólidos. Por enquanto a pesquisa foi feita em camundongos, mas os resultados são muito promissores.
Na primeira parte do trabalho, os pesquisadores mostraram a importância de uma citocina [proteína] chamada interferon-1 , que sinaliza a ativação do sistema imune e permite que alguns tumores que não respondem bem à imunoterapia se tornem sensíveis a ela. Quando os pesquisadores inibiram a produção de interferon-1, os tumores cresceram rapidamente.
Camundongos com tumores agressivos tratados com essa vacina tiveram uma sobrevida mais longa. Além disso, os cientistas injetaram o imunizante em três cães e os resultados preliminares mostraram que ele não é tóxico. “Eles [os pesquisadores] sugerem que a presença precoce do interferon-1 poderia ser um marcador importante para verificar que tumores são responsivos a imunoterapia”, relata Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP.
Mayana relembra que, em um dos trabalhos desenvolvidos no CEGH-CEL, os pesquisadores mostraram em camundongos e cães com diferentes tumores do sistema nervoso central que a injeção do zika vírus, aquele mesmo que causou a microcefalia em bebês expostos ao zika virus durante a gestação, se transformou em um poderoso aliado no combate a tumores cerebrais. “A grande vantagem do zika virus é que, além de destruir células neuroprogenitoras – que são ricas em tumores cerebrais -, ele também ativa o sistema imune que se arma para destruir o vírus. É importante as pessoas saberem que também fazemos pesquisas de ponta no Brasil.”
Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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