Colunista comenta a aprovação do aumento do número de deputados pela Câmara

Para Luciano Nakabashi, os deputados estão pensando no próprio umbigo, sem dar a mínima para o aumento de gastos, que já é grande por parte do governo federal

 02/07/2025 - Publicado há 10 meses

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Recentemente, a Câmara aprovou projeto que aumenta de 513 para 531 o número de deputados federais a partir de 2027, mas sem que as bancadas percam representantes. Nesta edição de sua coluna, o professor Luciano Nakabashi foca nessa manobra, que considera um “jeitinho” brasileiro no pior sentido do termo, pois os deputados deram um jeito para fugir às regras constitucionais de proporcionalidade de parlamentares por Estado. Essa “gambiarra” permite que aqueles Estados que deveriam perder deputados de fato percam, mas não é boa para a saúde econômica da Nação. “Quando a gente pensa na economia, a gente está naquele processo onde o Estado gasta muito, e esses gastos vêm crescendo ao longo do tempo. Os deputados custam muito caro para a sociedade. Não só o salário, mas principalmente a quantidade de benefícios, de assessores, de verbas que cada deputado recebe acaba tendo um custo extremamente elevado, sem justificativa em termos de retorno para a população.”

Isso gera mais gastos, num momento em que se deveria pensar em reduzi-los. “Porque cada deputado ganha muito, se for pegar o total, salário mais benefícios, mais as verbas que eles têm para gastar com assessores, sem contar a verba que eles recebem para poder gastar ali com projetos, para aumentar o capital político deles […] É uma lei que vai contra a questão da eficiência econômica, da justiça econômica e da tentativa de reduzir gastos, o que mostra que os parlamentares no Brasil não estão comprometidos com essa questão de melhorar a situação econômica brasileira a partir da redução dos gastos. Eles são uma fonte importante do aumento de pressão de gastos, sem pensar nas consequências e sem pensar no papel deles na sociedade brasileira, de melhorar a situação para os brasileiros. Eles estão pensando muito no próprio umbigo, sem pensar nas consequências econômicas e como isso vai ser negativo para a sociedade brasileira. Em vez de melhorar, é uma proposta que piora muito, tanto em termos de sinalização quanto em termos, de fato, econômicos, de aumento de gastos e de aumento de privilégios.”


Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar quinzenalmente,  quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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