USP SUSTENTÁVEL

São Sebastião é o primeiro município do Sudeste a ter todas as escolas certificadas com o Selo Escola Azul

O programa é resultado de um trabalho articulado pelo Centro de Biologia Marinha da USP, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Sebastião e o Projeto Coral Vivo

 03/07/2025 - Publicado há 10 meses
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Cerimônia oficial de entrega do Selo Escola Azul às unidades da rede municipal de ensino de São Sebastião ocorreu no último dia 23 de junho, no Teatro Municipal de São Sebastião – Foto: Ayla Fantinatti


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Pela primeira vez na região Sudeste, o município de São Sebastião passa a integrar o Programa Escola Azul Brasil, com todas as suas 67 escolas municipais (educação infantil e ensino fundamental I e II) oficialmente vinculadas ao programa. Trata-se de uma iniciativa coordenada pelo Maré de Ciência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Unesco Brasil, com apoio da Fundação Grupo Boticário, e voltada à inserção transversal da cultura oceânica na educação básica brasileira. Essa conquista resulta de um trabalho articulado pelo Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da USP junto à Secretaria Municipal de Educação de São Sebastião e ao Projeto Coral Vivo, configurando uma experiência inédita de integração entre políticas públicas de educação e ciência no contexto da Década do Oceano da Organização das Nações Unidas (ONU). 

A certificação foi concedida em cerimônia oficial de entrega do Selo Escola Azul às unidades da rede municipal de ensino de São Sebastião no último dia 23 de junho, no Teatro Municipal de São Sebastião, e reconhece o compromisso da cidade na promoção da cultura oceânica nas escolas públicas. As 67 escolas, distribuídas entre a Costa Norte, região central e Costa Sul, agora fazem parte dessa iniciativa nacional, que tem como objetivo fortalecer a educação ambiental marinha conectada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. 

O programa Escola Azul visa à promoção da cultura oceânica em escolas, integrando o tema do oceano no currículo escolar de forma transversal e interdisciplinar, ou seja, abordado em diferentes disciplinas e não apenas em aulas de ciências e biologia. O objetivo é desenvolver o pensamento crítico e criativo dos alunos, incentivando a participação da comunidade escolar na preservação dos ecossistemas aquáticos. O programa estimula o aluno a questionar, analisar e propor soluções relacionadas à vida marinha e à preservação dos oceanos. Importante parceiro do Escola Azul, o Cebimar oferece suporte técnico, científico e logístico para as escolas participantes. 

Samuel Coelho de Faria – Foto: Currículo Lattes

Durante o evento, Samuel Faria, professor do Cebimar e gerente regional do Projeto Coral Vivo em São Paulo, destacou a importância da certificação. “São Sebastião foi o primeiro município, e até o momento único, a ter 100% da rede pública municipal a aderir ao Programa Escola Azul. Isso simboliza uma grande conquista, mas é importante lembrar que na verdade as nossas escolas já eram escolas azuis. Boa parte delas já executa muitas ações voltadas para a cultura oceânica. O que estamos fazendo é formalizar que agora, de fato, estamos dentro desse programa de ordem global. Isso significa que nosso município não só entendeu mas também colocou em prática a agenda global da Organização das Nações Unidas voltada à sustentabilidade dos oceanos. E simboliza o trabalho conjunto entre a academia, a sociedade civil organizada e o poder público”, declarou.  

Desdobramentos do projeto 

Como desdobramento, estão sendo oferecidos pelo Cebimar um curso de atualização de professores da rede municipal, a distribuição de material didático especializado do Projeto Coral Vivo e a organização de um programa institucionalizado de visitas escolares ao Cebimar, que acaba de ser reconhecido com o Prêmio de Impacto Social USP 2025. O curso teórico-prático, que será credenciado junto à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP, terá carga horária de 30 horas e deverá ocorrer preferencialmente aos finais de semana, segundo informações de Faria. O curso será ministrado por docentes do próprio Cebimar e, possivelmente, por professores de outras unidades da USP, como a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e Escola de Comunicações e Artes (ECA). “A ementa foi coconstruída com os dirigentes escolares do município, que decidiram-se conjuntamente pelos seguintes módulos: Biodiversidade Marinha, Mudanças Climáticas, Poluição e Pesca, Cultura Caiçara, e Turismo/Economia Azul”, declara Faria.

O material didático foi doado pelo Projeto Coral Vivo, organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) que atua na conservação oceânica. O Coral Vivo nasceu no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ), com base física em Arraial d’Ajuda na Bahia, e conta com uma rede de pesquisadores associados de mais de 13 universidades brasileiras, desenvolvendo o Programa Literatura Atlântica – do qual resultou a doação de mais de mil livros de diferentes títulos e níveis à rede municipal de ensino até o momento. Esses materiais serão trabalhados de forma transversal pelos professores da rede municipal, de todos os níveis. Os livros podem ser encontrados e baixados do site do Coral Vivo, que é de domínio público.

Já o Centro de Visitantes do Cebimar foi institucionalizado como política pública municipal, por meio da adesão formal da Secretaria de Educação de São Sebastião ao programa Escola Azul Brasil. “Trata-se de uma atividade extensionista consolidada, que completou longevos 40 anos de atuação e já recebeu mais de 30 mil visitantes de todas as regiões do Brasil e de mais de 20 países”, destaca Faria. Recentemente, o espaço passou por uma ampla revitalização, passando a contar com tanques de toque e microscopia reformulados, área educativa exclusiva com materiais didáticos diversos, e experiências em realidade virtual, pontua o professor. Segundo ele, essa modernização foi viabilizada com apoio da Fundação Grupo Boticário, Projeto Coral Vivo, Programa Petrobras Socioambiental, Petz, PRCEU e do edital interinstitucional USP–Unesp–Unicamp. Em 2025, o programa teve suas atividades extensionistas curricularizadas formalmente ao ensino de graduação na USP, e recebeu o Prêmio USP de Impacto Social 2025 na categoria ODS Vida na Água, sob coordenação do professor Faria, pelo trabalho histórico dessa atividade do Cebimar na interface entre ciência, educação e impacto público-social. Ainda segundo o professor, a adesão do município ao Programa Escola Azul Brasil contempla berçários, creches, Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II e Educação de Jovens e Adultos (EJA) de São Sebastião. 

 

Foto: Reprodução/Instagram

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