As consequências do frio para nossa saúde

Paulo Saldiva diz que é uma época que merece atenção, principalmente no tocante às doenças respiratórias e cardiovasculares, que tendem a aumentar e atingir os mais vulneráveis, como os idosos

 30/06/2025 - Publicado há 9 meses

Logo da Rádio USP

Nesta coluna, o professor Paulo Saldiva fala sobre as consequências das ondas de frio que acontecem nesta época do ano, principalmente na Região Sudeste. O frio enfraquece o sistema de defesa do organismo e o resultado aparece na forma de doenças respiratórias e cardiovasculares, o que faz com que seja esperado um aumento da demanda dessas moléstias nos hospitais. A poluição, que também é maior neste período de frio, também tem o seu papel, pois ajuda a carregar micro-organismos para as regiões mais profundas do pulmão. “É como se o micro-organismo, bactérias  e vírus, pegassem uma carona nas partículas de poluição e vão penetrando nas regiões mais fundas, onde a gente faz troca gasosa, ensejando o aparecimento de pneumonias. O coração tem que bombar contra uma resistência periférica aumentada, ou seja, nós contraímos as artérias para evitar perda de calor através da pele, mas consequentemente o coração vai ter que bombar contra uma resistência maior. E, infelizmente, com essas temperaturas que estão muito baixas, a gente espera um aumento das demandas por doenças respiratórias e cardiovasculares e também, infelizmente, mortalidade.”

Para minimizar esses efeitos, é preciso controlar as doenças que são preexistentes. “Se é hipertenso, se é doença cardiovascular, se você é asmático, se o bebê, se a criança está com chiado no peito, é ficar de olho e procurar assistência médica. Mudou a secreção respiratória, começou a ter catarro, tosse, é importante levar na assistência médica e ficar bem de olho. Quanto aos idosos, precisam ter uma atenção diferenciada nesta época de frio intenso, principalmente aqueles mais idosos, acima de 70 e os very old, que são acima de 80; que se observe o seu comportamento, porque eles, digamos, perderam essa capacidade de termorregulação, a pele fica mais fina, tem menos gordura no subcutâneo e consequentemente mais vulnerável ao esfriamento. Bom, essa amplitude térmica, essa variação, esse sistema de gangorra de temperatura também não faz bem para a gente. Isso veio para ficar. As cidades têm baixa umidade do ar, construímos os desertos de concreto e asfalto — como acontece em qualquer deserto, de noite faz muito frio e aumenta a temperatura durante o dia e isso nós vamos ter que recuperar.”


Saúde e Meio Ambiente
A coluna Saúde e Meio Ambiente, com o professor Paulo Saldiva, vai ao ar toda segunda-feira às 8h, quinzenalmente, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.