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Quatro novos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) na área de Ciências Exatas e da Terra e Engenharia foram anunciados na última sexta-feira, dia 30 de maio, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os novos centros foram selecionados entre 18 propostas submetidas para o edital do Programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão, em chamada aberta de 2023, e vão receber financiamento durante cinco anos, renováveis por mais cinco.
O projeto sediado na USP é o Centro de Pesquisa em Resiliência em Crises Climáticas e Desastres (Climares), no Instituto de Energia e Ambiente (IEE), no campus do bairro do Butantã, que vai buscar avançar o conhecimento e trabalhar em inovações e adaptações associadas a temas como mudanças climáticas e desastres com impacto em setores como economia e alimentação, energia e água.
Outros dois centros são sediados na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e outro no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) — o programa passa a contar com 29 CEPIDs em atividade.
Segundo o coordenador do Climares, Tercio Ambrizzi, o projeto foi concebido de forma a ser realmente interdisciplinar e multidisciplinar. “Temos pesquisadores da área de energia, abarcando especialistas em sequestro de carbono, energia renovável e uso de resíduos orgânicos para gerar biometano. Um dos eixos temáticos busca melhorar nossa capacidade de prever eventos extremos e, para isso, nós vamos contar com a parceria do Cemaden [Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais]. Temos pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública [FSP-USP] que vão estudar o impacto desses eventos extremos na saúde e da Unicamp que vão avaliar os impactos sociais. Há um núcleo de ciência básica, com especialistas em oceano, ciências atmosféricas e paleoclima. E não podemos esquecer a área de economia, porque tudo isso implica gastos e tem um impacto econômico”, conta.
Ambrizzi destaca ainda um eixo temático voltado a desenvolver pequenos polos industriais na Amazônia. “A ideia é aproveitar o pessoal local e o que a floresta tem de bom, trazendo recursos e benefícios para a região sem ter de cortar árvores.”
Temas críticos
“Cada proposta foi analisada por cinco pareceristas ad hoc internacionais. Posteriormente, outra comissão internacional composta por cinco pesquisadores de grande experiência e renome se debruçou sobre os projetos e os pareceres e estabeleceu um ranqueamento das melhores propostas. De acordo com o edital, as quatro mais bem avaliadas foram indicadas para a Fapesp apoiar”, explica Sylvio Canuto, coordenador-geral de Ciências, Humanidades e Artes da fundação.
O Centro de Pesquisa e Inovação de Materiais Inteligentes e Quânticos (CRISQuaM), com sede no Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp, vai explorar ciência fundamental e aplicada para desenvolvimento de materiais com alto potencial de aplicação em sensores tecnológicos relevantes e sustentáveis para uso em ciências climáticas, agricultura e saúde, incluindo avanço em spintrônica para computação quântica.
Também sediado na Unicamp, no Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (IMECC), o Centro Brasileiro de Geometria (CBG) tem como objetivo o avanço do conhecimento em diversas áreas importantes da matemática, com caráter inovador e inspirador para novas gerações, além de gerar impacto no sistema educacional para o letramento e educação em matemática para o público, incluindo prejudicados auditivos.
O CNPEM será a sede do Centro de Engenharia Molecular de Materiais Avançados (CEMMA). O grupo, que conta com pesquisadores da USP, de universidades federais do ABC (UFABC) e de São Carlos (UFSCar), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), vai utilizar engenharia molecular e avanços em nanotecnologia para desenvolvimento de novos materiais e dispositivos tecnológicos a fim de enfrentar temas críticos, como novas alternativas de energia, materiais sustentáveis e dispositivos quânticos.
“Os centros vão promover a colaboração entre times de pesquisadores altamente qualificados, garantindo que as atividades e pesquisas futuras possam ir além da soma das contribuições individuais. Essa lógica justifica um financiamento mais longo, na forma de um centro, em vez de projetos separados de cada um desses grupos”, destaca Canuto.
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Texto adaptado de André Julião, da Agência Fapesp, com colaboração de Karina Toledo
























