Redes sociais influenciam diretamente o uso indiscriminado de suplementos alimentares

Influenciadores e o ideal estético de beleza, segundo Nadine Marques, levam ao consumo desses produtos sem acompanhamento profissional

 30/05/2025 - Publicado há 10 meses
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Pílulas de suplementos em colher, com peso de academia de fundo
Os suplementos alimentares recebem investimentos diversos de empresas distintas- Foto: Freepik
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Os medicamentos e produtos de suplementação alimentar têm ganhado cada vez mais espaço na economia mundial. Podendo gerar grandes benefícios para algumas pessoas, entretanto, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) afirma que seu uso indiscriminado pode acarretar em graves problemas de saúde pública.

Mulher branca, meia idade, cabelos longos e sorrindo para a câmera. Veste traje de cor azul escuro
Suzana Lannes – Foto: FCF/USP

No Brasil, os suplementos alimentares não são tidos como medicamentos. Assim, qualquer indivíduo pode comprar essa gama de produtos, sem qualquer prescrição médica. Suzana Lannes, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, comenta a respeito do público que deve consumir esses suplementos. “Eles são destinados a pessoas saudáveis e a sua finalidade é fornecer nutrientes, substâncias bioativas, enzimas, probióticos, em complementação a uma alimentação.”

As redes sociais

Devido ao seu crescimento recente, os suplementos alimentares recebem investimentos diversos de empresas distintas. Para Nadine Marques, pesquisadora na Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis da Faculdade de Saúde Pública da USP, a grande questão desses produtos está na lógica de medicalização que eles têm recebido. Com uma ampla gama de escolhas e variedades, os suplementos passaram a ser propagandeados de forma excessiva e descontrolada, como se fossem benéficos a qualquer pessoa. “Dependendo da alimentação, dos hábitos alimentares daquela pessoa, dependendo do momento que ela vive, as necessidades dela podem estar muito bem supridas pela alimentação e não existe a necessidade desse suplemento”, complementa.

Mulher branca, jovem, cabelos escuros e compridos e sorrindo para a câmera
Nadine Marques Nunes Galbes – Foto: LinkedIn

Potencializadores dessa propaganda falaciosa, as redes sociais e influenciadores exercem papel fundamental no consumo indiscriminado. A presença de celebridades em campanhas de venda de suplementos e a criação de um ideal estético de beleza levam o público dessas personalidades a comprar e consumir esses produtos, sem qualquer prescrição ou consulta prévia com um nutricionista. A alegação de resultados estéticos ou esportivos, no caso de atletas, garantidos aos consumidores, leva a esse uso indiscriminado, segundo a pesquisadora.

Somada a essas questões, a falta de informações ou o compartilhamento de dados errados a respeito desses produtos só agrava a problemática. “Nós vemos nas mídias em geral a explicação a respeito dos suplementos não sendo completa. Até mesmo produtos de academia, que são mais comuns e falados, como a creatina, não são bem explicados às pessoas”, afirma Suzane. Mesmo com o empenho de agências nacionais para informar as pessoas, como a Anvisa, o público brasileiro muitas vezes não tem noção sobre o que está consumindo e seus possíveis efeitos.

Acompanhamento profissional

As consequências do uso de medicamentos e suplementos alimentares, sejam positivos ou não, variam de pessoa para pessoa. Dessa maneira, o acompanhamento e consulta com um nutricionista antes de começar a consumir esses produtos é essencial. “A recomendação de uma personalidade das redes sociais, por exemplo, não vai caber para todo mundo. Assim seria fundamental que cada pessoa pudesse fazer uma consulta, um acompanhamento profissional especializado para entender se ela, de fato, está numa condição específica de vida, de momento de vida ou de estilo de vida que faz com que ela apresente uma maior necessidade nutricional que não está sendo atendida pela alimentação”, defende Nadine.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo


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