Inteligência artificial e o futuro da opinião pública

O ser humano é um indivíduo que analisa, debate e ajuda a formar a opinião independente, avalia Luli Radfahrer

 27/06/2025 - Publicado há 9 meses

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Estaria a inteligência artificial mudando a forma como recebemos as notícias? Com a resposta, Luli Radfahrer: “Olha, a inteligência artificial, e é muito fácil ver isso em lugares como o TikTok, por exemplo, está personalizando cada vez mais o conteúdo que a gente vê, através de um monte de algoritmos que selecionam as notícias baseadas nos interesses e no comportamento on-line. É muito diferente, por exemplo, se você entrar no YouTube logado com a sua conta e você entrar no YouTube sem estar logado na sua conta. Você vai ver conteúdos completamente diferentes. O problema disso é que cria bolhas de informação, onde eu começo a ver cada vez mais as coisas com as quais eu concordo e eu quero ver, e aí eu acabo tendo uma visão cada vez mais limitada do mundo”. A consequência é a de que esse cenário afeta o debate político nas redes sociais. “A inteligência artificial está sendo usada para analisar a tendência, criar conteúdo direcionado e até mesmo para identificar grupos de eleitores específicos. Isso acaba levando àquilo que a gente tem visto nos últimos anos, uma enorme polarização e uma criação de conteúdo altamente personalizado, fugindo do debate democrático saudável.”

A partir disso tudo, qual será, afinal de contas, o papel do ser humano na formação da opinião pública no futuro? “O ser humano é um indivíduo que analisa, debate, e ele ajuda a formar a opinião independente. Basicamente, você precisa de um ser humano, porque ele é alguém que, como você, está vendo o mundo. Muitas das vezes, as pessoas que são extremas, que têm os comportamentos exagerados, elas não são necessariamente  malucas ou radicais, elas foram radicalizadas pelo conteúdo. O legal de você ter um ser humano é falar: ‘Oi, cara, calma. Está tudo bem com você? Será que você não está exagerando um pouco?’, e a máquina tem todos os incentivos para fazer o contrário. A máquina só quer que você fique lá mais tempo. Então ela só vai tender a concordar com você. Do mesmo jeito que uma empresa de chocolates não vai estimular você a ter uma alimentação saudável.”


Datacracia
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP Jornal da USP e TV USP.

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