
Pela primeira vez, cientistas encontraram uma evidência de vida em outro planeta (K2-18b) além do sistema solar. Trata-se de impressões digitais químicas de gases produzidos por processos biológicos. Mas o que isso quer dizer? O que foi descoberto na verdade? O que os cientistas vão fazer com essa informação? Essas moléculas aqui na Terra são produzidas apenas através de processos biológicos. O professor Douglas Galante, do Instituto de Geociências (IGc) da USP, especialista nas áreas de Geobiologia e Astrobiologia, explica que o que “foi descoberto é uma bioassinatura, ou seja, indica um processo biológico”. O professor diz, ainda, que o objetivo agora é descobrir a origem dos gases dessas moléculas, a qual pode ser biológica ou abiótica, ou seja, geológica, vulcânica, tectônica ou outra.

Algumas publicações estão se referindo à descoberta em um planeta alienígena e o professor Douglas Galante faz questão de corrigir essa denominação dizendo “que se refere a um exoplaneta, ou seja, um planeta que orbita uma estrela diferente do Sol, que está fora do nosso sistema solar”. A bioassinatura gasosa não dá certeza de vida em outro planeta além da Terra. São necessárias várias bioassinaturas e não apenas duas como as encontradas. O próximo passo agora é “fazer a confirmação do que foi descoberto de forma a ter uma certeza absoluta, o fato é que ainda é muito cedo para se falar em vida no exoplaneta”. Segundo ele, procurar por vida em outros planetas é uma busca que a humanidade se propôs ou se propõe a fazer há muito tempo, “desde o tempo dos gregos, pelo menos, e talvez até antes disso, a gente vem discutindo primeiro filosoficamente, depois cientificamente, se nós estamos sozinhos no Universo. Então essa tem sido uma das grandes dúvidas da humanidade”.
Vida só na Terra?
O professor do IGc especula: “Será que nessa vastidão gigantesca do Universo só existe vida no nosso planetinha aqui na Terra? O que tem de tão especial no nosso planeta que só ele propiciou a origem e a evolução da vida? A ciência acha muito difícil essas afirmações, não é? De que a Terra seja tão especial assim, então a gente acredita que há uma grande chance de existirem outros mundos, outros planetas que possam também abrigar vida”.
Nas últimas décadas foram desenvolvidas ferramentas científicas que ajudaram a tentar responder essas perguntas. Olhar para o Cosmos, olhar para os exoplanetas e tentar medir esses gases, medir essas bioassinaturas e dizer se de fato estamos sozinhos no Universo. “O Universo é tão grande, tão vasto, suas distâncias são tão enormes que a gente não vai conseguir mandar sondas espaçonaves para outros lugares além do sistema solar, não com a tecnologia atual, pelo menos. Por isso, é extremamente importante se basear nessas detecções astronômicas de gases, essa luz que vem desses exoplanetas trazendo a informação sobre a química desses lugares para de fato nos ajudarem a dizer se existe ou não existe vida em outros planetas.”
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