Artigo publicado recentemente na revista Cell Stem Cell mostrou que células cerebrais humanas projetadas para evitar a detecção pelo sistema imunológico restauraram com sucesso o controle muscular em ratos com doença de Parkinson. Se confirmada em humanos, a técnica poderia eliminar o uso de medicamentos imunossupressores.
Primeiro, os pesquisadores derivaram neurônios humanos a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (IPS, em inglês) para serem transplantadas em um modelo murino de doença de Parkinson. Contudo, se fossem inseridas em camundongos ou ratos, elas seriam rejeitadas. “Para contornar essa possibilidade, os pesquisadores editaram oito genes das células neuronais humanas de modo que elas produzissem uma ‘capa protetora’, evitando que fossem atacadas pelo sistema imune do animal”, explica Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP.
Mayana diz que esses genes foram estrategicamente escolhidos “porque eles agem naturalmente na placenta (para evitar a rejeição do feto pelo sistema imune da mãe) e em células cancerosas, para fugir da destruição pelo sistema imunológico do paciente”. O próximo passo foi testar se os neurônios modificados eram funcionais e se não teriam o risco de gerar tumores.
“Essa pesquisa realizada em modelos murinos abre perspectivas importantes no tratamento de inúmeras doenças humanas que poderiam se beneficiar de terapias celulares, sem a necessidade do uso de drogas imunossupressoras que aumentam o risco de infecções e câncer”, enfatiza a geneticista. “É mais um exemplo da importância da pesquisa básica integrando análise genética e terapia celular.”
Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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