O professor Guilherme Wisnik faz da série britânica Adolescência, sucesso da Netflix, o foco de seu comentário, uma vez que, criada por Stephen Graham e Jack Thorne, a produção está fazendo muito sucesso entre o público e a crítica, a ponto de ter se transformada num fenômeno, o que, para o colunista, não deixa de ser surpreendente para uma série feita nos moldes de um filme de arte – portanto, evitando as facilidades cênicas, linguísticas e conceituais de um congênere mais comercial. Uma das grandes sacadas da série, segundo Wisnik, é nos trazer para muito perto da realidade vivida pelos personagens, à qual se alia “o fato de não ter uma moral unívoca”. Outro aspecto que ele destaca é o das redes sociais, “uma outra forma de espaço público. Muitas vezes a gente acha que as crianças e adolescentes estão a salvo dentro de casa, nos seus quartos, protegidos do que é identificado pelo adulto como perigo real, mas, na verdade, é o contrário: estão ali, expostos a um espaço muito possivelmente violento”, frisa Wisnik, alertando para a frequente ameaça representada pelos bullyings. “O bullying não larga o adolescente em momento nenhum, porque na rede social existe uma exposição permanente, uma crueldade muito grande.”
Na conclusão de seu comentário sobre os temas abordados pelo programa, Wisnik diz que “o que é maravilhoso é que ela (a série), sendo radical estética e filosoficamente como ela é, no entanto, tenha o sucesso que tem”.
Espaço em Obra
Com o Prof. Guilherme Wisnik
A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.


























