Seminário na USP aborda as relações entre arte e natureza

Entre os dias 25 e 30 de abril, evento vai reunir mais de 100 pesquisadores e artistas de nove países

 23/04/2025 - Publicado há 1 ano
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Desenho de uma planta com raiz e caule longo e fino.
Arte Jornal da USP feita com imagem extraída do Site IV Seminário Internacional Arte e Natureza

O artista Bu’u Kennedy – líder espiritual dos índios Tukano, habitantes do noroeste da Amazônia – e a líder comunitária Tamikuã Txihi, da reserva indígena do Jaraguá, em São Paulo, estão entre os participantes do 4º Seminário Internacional Arte e Natureza, que acontece de 25 a 30 de abril em diferentes locais da USP e da cidade de São Paulo. Coordenado pelo professor Hugo Fortes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o evento vai reunir pesquisadores e artistas do Brasil e do exterior para discutir as relações entre o fazer artístico e o ambiente. Além das palestras, o seminário terá mesas-redondas, performances, mostra de vídeos e a exposição Húmus, que será aberta nesta sexta-feira, dia 25, às 17h20, no Espaço das Artes, na Cidade Universitária. A programação completa está disponível no site do evento.

Homem de cabelos longos, lisos e grisalhos.
O professor Hugo Fortes – Foto: Arquivo pessoal

A palestra de abertura do seminário, nesta sexta-feira, dia 25, às 10h40, no auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP, deve ditar o tom do evento. Ela será proferida pelo professor Luiz Marques, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que vai falar sobre Ecocídio e Suicídio Socioambiental no Brasil. Ao longo dos seis dias de atividades, o encontro terá a presença de 30 palestrantes, além dos mais de 80 artistas que participarão da mostra de vídeos, das performances e da exposição Húmus. Eles são oriundos de nove países – entre eles, Alemanha, Portugal, Marrocos, Itália, Estados Unidos e Argentina.

O seminário vai ter uma grande diversidade de abordagens sobre o tema arte e natureza”, comemora o professor Hugo Fortes. “Vamos ter desde ativistas em favor do ambiente até pessoas que trabalham com a questão da relação entre tecnologia e natureza. Alguns têm uma abordagem mais teórica, outros, mais artística”, explica o professor. Para Fortes, a mescla entre academia, arte e ativismo é essencial. “Queremos fazer um seminário que seja uma expressão política, porque falar de natureza neste momento é algo muito político também.”

Fortes lembra que, quando o Seminário Arte e Natureza aconteceu pela primeira vez, em 2011, não havia uma discussão tão intensa sobre o ambiente, como acontece hoje. “Atualmente, não só os cuidados com a natureza, mas também sua relação com a arte estão muito mais em evidência”, destaca. Ele acredita que o campo de correlações entre arte e natureza é amplo e variado: “Existe uma relação com a ideia do engajamento, do ativismo ambiental, mas também uma tradição dos povos originários e mesmo da cultura ocidental, desde os gregos, passando pela natureza morta e por todos os movimentos artísticos, ligados inclusive à botânica e à biologia”.

Mulher com colar, brincos redondos grandes e cabelos presos.
A curadora Ana Carolina Ralston – Foto: Reprodução/Linkedin

A exposição Húmus

A exposição Húmus – que será aberta no dia 25 e ficará em cartaz até 16 de maio – deve ocupar papel central entre as atividades do 4º Seminário Arte e Natureza. Além de trazer expositores de várias origens, ele dará oportunidade também para jovens artistas que são alunos do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da ECA, em que Hugo Fortes ministra a disciplina Visões da Natureza: Poética, Artificialismo e Ciência.

O título da exposição tem uma explicação filosófica. “A filósofa e zoóloga estadunidense Donna Haraway fala que nós somos ‘húmus’, não homo, destaca a curadora Ana Carolina Ralston, que ao lado de Fortes e da artista visual Sandra Rey assina a curadoria da mostra. “Donna fala desse lugar para o qual nós voltamos. Ela lembra que nós somos parte da decomposição, pois somos compostos de um núcleo de relações de microrganismos, como fungos e bactérias.”

Para Ralston, a arte é uma maneira sensível de atuar no lugar político. “É mais delicada, mais lúdica. Com ela, conseguimos acessar lugares que, às vezes, são mais difíceis de atingir quando se vai com muita força na crítica”, comenta.

O evento tem apoio do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da ECA, do Instituto Goethe de São Paulo, da Cátedra Arte e Natureza da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Organização do Mundo Islâmico para Educação, Ciência e Cultura (Icesco) e da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O 4º Seminário Internacional Arte e Natureza acontece entre os dias 25 e 30 de abril, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP (R. da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, em São Paulo), no Espaço das Artes (EdA) da USP (Rua da Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária, em São Paulo) e em outros espaços da cidade de São Paulo. Entrada grátis. Inscrições para as palestras precisam ser feitas neste link. Mais informações e a programação completa do evento estão disponíveis no site do seminário.

* Estagiário sob supervisão de Roberto C. G. Castro


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