Um mergulho intenso nas Humanidades da FFLCH, uma das mais pioneiras e diversas unidades da USP

Por Adrián Pablo Fanjul e Silvana de Souza Nascimento, diretor e vice-diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP

 31/03/2025 - Publicado há 1 ano
Adrián Pablo Fanjul – Foto: Pedro Seno/Serviço de Comunicação Social da FFLCH-USP
Silvana de Souza Nascimento – Foto: Pedro Seno/Serviço de Comunicação Social da FFLCH-USP
Nossa cerimônia de posse foi na quarta-feira, 26 de março de 2025, mas assumimos a direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) há seis meses. Já começamos em um momento do ano que exigiu muitas tomadas de decisão. Como nossa proposta é de uma gestão participativa, precisamos implantar rapidamente várias comissões, integrando as três categorias e os prédios, sobretudo para a organização e o planejamento do orçamento, da infraestrutura, equipamentos e espaços. Esse início coincidiu também com outros processos: a tão esperada progressão na carreira de funcionárias e funcionários, que envolveu a formação de vários comitês, e as últimas definições do Plano Diretor do Campus Butantã, para o qual elaboramos propostas de emendas. Esse período coincidiu também com os preparativos para a licitação do novo prédio da FFLCH. Foi muito bom porque a comunidade nos acompanhou nesse impulso inicial, e colocamos tudo em andamento.

A chapa que integramos na eleição de direção propunha estimular o papel crítico e propositivo para a FFLCH, e demos andamento a várias inciativas. Já em novembro realizamos, com o Instituto de Psicologia e o Museu de Arte Contemporânea, o seminário Trabalho e diversidade na USP. Boas práticas e impasses para a inclusão, que promoveu debates que têm contribuído para uma Universidade menos desigual a partir de três eixos: “Trabalho, saúde, assistência e direitos”, “Políticas de acessibilidade” e “Formação e educação na perspectiva interseccional”. Participaram colegas e estudantes de várias unidades, além da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento e da Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência. Alguns dos assuntos mais abordados foram a necessidade de contratação de intérpretes de Libras para a Universidade e que sejam realizadas avaliações das políticas afirmativas de inclusão racial, pois é preciso, entre outros aspectos, aumentar a presença de pessoas negras e indígenas no quadro docente da USP.

A organização desse seminário deu início a uma modalidade da nossa atuação que esperamos continuar: a atuação conjunta com outras unidades. E já teve continuidade: hoje, 27 de março, em ocasião do Mês das Mulheres, somos parceiros da organização de uma conferência com a atual reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia, a Profa. Joana Guimarães, uma iniciativa protagonizada pelo Instituto de Psicologia, com a colaboração também da Faculdade de Saúde Pública e da Escola de Enfermagem. Além disso, construímos uma rede colaborativa, com um amplo grupo de unidades, para a formulação do projeto Infraestrutura Multiusuária Digital para a Pesquisa em Humanidades, que está sendo apresentado a diversas oportunidades de financiamento. A vocação da FFLCH pela inovação social e pelo desenvolvimento de políticas públicas nos fez participar também da organização de uma mesa na Jornada pela Ciência e a Educação, organizada pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência, e de um engajamento com a Secretaria de Educação do Estado por meio de um convênio já existente.

Para dar visibilidade e valorizar a presença e a memória de pessoas negras que trabalham e estudam nesta faculdade, demos início ao projeto Memória Negra na FFLCH. Além de docentes e servidores que ficaram invisíveis nessa trajetória, queremos destacar a presença de referências para o movimento negro que também passaram por aqui, como Eduardo Oliveira e Oliveira e Lélia González, memórias ancestrais da presença negra na USP. Neste momento, estamos realizando um levantamento de documentos, publicações e informações a respeito de docentes negros e negras que atuam e atuaram nesta faculdade. E na próxima semana organizaremos uma reunião aberta a toda comunidade universitária para que possamos planejar ações que envolvam as diferentes categorias e também os núcleos de extensão e pesquisa da USP que têm colaborado, há décadas, para a construção de uma Universidade antirracista.

A atenção à política institucional não tira nossa atenção das questões rotineiras que têm a ver com o bem-estar e as condições de trabalho. Montamos uma verdadeira força-tarefa para garantir compras relacionadas à climatização, prioridade levantada pela comissão de infraestrutura, e mantemos a comunidade constantemente informada sobre esses equipamentos, podas de áreas verdes e o andamento dos consertos e reformas. E por meio de vários colaboradores, mantemos atenção a toda possibilidade de financiamento, interna ou externa.

A transparência, entendida como protagonismo e centralidade dos colegiados, foi outro eixo importante do programa com que nos elegemos, e estamos atuando, nesse sentido, em várias direções. Promovemos o debate amplo sobre temas que a comunidade propõe na Congregação: já houve uma reunião aberta sobre o novo plano de pós-graduação, e tem data um debate mais geral sobre “A pós-graduação na USP e o sentido da formação” no dia 9 de abril. Em outro âmbito por enquanto mais interno, a Congregação está discutindo recomendações sobre procedimentos nos concursos docentes e, para cada uma dessas discussões, buscamos que diferentes colegas se incumbam da organização. As comissões do orçamento e infraestrutura que já mencionamos integram também essa tentativa de promover a participação coletiva, como também as sessões abertas da Congregação para temas pontuais, como o Plano Diretor ou as novas construções e reformas nos prédios da faculdade.

Esperamos, assim, que discentes, docentes e servidores possam se sentir protagonistas, de forma ativa e construtiva, da nossa FFLCH. Pertencer a uma Universidade pública como a USP é um trabalho contínuo e coletivo tanto para a formação educacional e profissional e para a produção de conhecimento quanto para garantir a convivência entre as diferenças sem que estas reproduzam violências, de uma perspectiva interseccional. E as ciências humanas têm um papel fundamental nisso, acreditando que a ciência pode vir acompanhada de transformação social, colaborando para que as novas gerações construam um mundo renovado, mais sustentável, colaborativo e menos desigual.

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