Faculdade de Direito da USP sediará ato em defesa da educação pública

Sonia Kruppa e Vera Bohomoletz Henriques convidam profissionais da educação a participarem da mobilização, cujo objetivo é defender a escola pública e a educação de qualidade

 28/03/2025 - Publicado há 12 meses
Estudantes em sala de aula mexendo em computadores portáteis
A preocupação é a defesa da escola pública paulista, paulistana, brasileira – Foto: Ana Santiago/ICMC
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Neste sábado, dia 29 de março, a partir das 14hs, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, ocorre o lançamento da Frente Popular em Defesa da Escola Pública. A iniciativa vem do Núcleo de Avaliação Institucional da Faculdade de Educação da USP e tem como objetivo a defesa da escola pública brasileira, com uma educação de qualidade.

A Frente Popular conta, também, com um manifesto. O texto defende o fim do desmonte do ensino público, critica as privatizações e o processo de militarização das escolas, além de defender o direito ao acesso à educação para todo tipo de estudante: da creche ao jovem trabalhador. 

Mulher branca, idosa, cabelos grisalhos, sorrindo e vestindo blusa vermelha sobre camiseta preta
Sonia Maria Portella Kruppa – Foto: Reprodução/YouTube

A precarização

Sonia Kruppa, professora da Faculdade de Educação da USP, elabora sobre a mobilização: “A preocupação é a defesa da escola pública paulista, paulistana, brasileira, como um direito, um direito duramente conquistado ao longo do século 19. Então, nós estamos num momento em que temos condição em São Paulo e na capital de termos uma educação de qualidade. Agora, não é isso que está acontecendo. Então, vários movimentos, o coletivo Paulo Freire, o coletivo USP Escola, o Sinesp, sindicatos, as brigadas pela educação e o núcleo de avaliação institucional da USP, junto com educadores, com professores, se uniram para construir este ato no sábado”. 

A professora comenta, também, da falta de contratação de profissionais para as escolas, o que descumpre o Plano Estadual da Educação e leva à precarização do ensino. Nesse sentido, aponta a problemática das privatizações: “Nós estamos vendo a escola ser jogada na Bolsa de Valores, as ações de privatização são colocadas sob o argumento de que o público é ruim, o caminho é a privatização. ‘A gestão pública é ruim, é preciso privatizar a gestão das escolas.’ Isso não é verdade. Estamos numa Universidade pública cuja gestão prova que a escola pública de qualidade, com gestão pública, obviamente, pode ser uma realidade”.

Vera Bohomrletz Henriques – Foto: Maria Leonor de Calasans / IEA

“Eu destaco, nessa minha fala, o processo de que ‘a escola é insegura e, portanto, temos que militarizar as escolas e temos que colocar a polícia armada dentro das escolas’. Escola não é lugar de polícia, escola não é lugar de arma, escola é lugar de encontro de gerações mediada pelo conhecimento”, complementa.

Vera Bohomoletz Henriques, professora do Instituto de Física da USP e cofundadora do projeto Encontro USP-Escola, critica a visão empresarial da atual Secretaria de Educação de São Paulo: “A Secretaria de Educação, em alguns meses, preparou todas as aulas diárias de todas as matérias do primeiro ano do ensino fundamental, até o último ano do ensino médio. Alguns funcionários da Secretaria prepararam powerpoints, aula por aula, e é claro que o material, quem sabe como é que o conhecimento se faz, entende que é impossível que esse material seja bom. As pessoas que prepararam não tiveram tempo, não tiveram formação, não foi feito nenhum projeto piloto. O mais grave é que, também dentro da visão empresarial, os professores são obrigados a fazer essas aulas a partir desse material e eles são monitorados diariamente. […] Quando os professores ou diretores se recusam a seguir essa orientação da Secretaria, são demitidos, são deslocados”.


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