Para segurar a inflação, a receita é o governo conter seus gastos

Para Luciano Nakabashi, não resta outra saída ao governo a não ser barrar o aumento descontrolado dos gastos, o que teria o efeito de melhorar os fundamentos da economia

 26/03/2025 - Publicado há 1 ano

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O aumento da inflação – sobretudo do preço dos alimentos – tem ocupado as principais notícias na área econômica e preocupado o professor Luciano Nakabashi, que faz disso o tema de sua coluna. Ele argumenta que a elevação nos preços é fruto de uma conjuntura, que aponta para três fatores: mercado de trabalho aquecido, aumento da demanda agregada e o processo de depreciação do real em relação ao dólar. “Quando a gente pensa nessa questão  do aumento da demanda, ela está muito relacionada ao aumento dos gastos do governo. O governo veio aumentando a arrecadação pelo crescimento do PIB e, mesmo assim, a dívida em relação ao PIB está aumentando, ou seja, o governo está gastando muito, gastando mais do que o aumento da arrecadação”, argumenta. Essa manobra estimula a demanda e provoca o aquecimento do mercado de trabalho. “A gente tem uma taxa de desemprego hoje bastante baixa, o aumento da demanda adicional acaba  pressionando sobretudo o preço, porque você já não tem mais trabalho, não tem mais capacidade ociosa para aumentar a oferta e fazer frente a esse aumento da demanda, então isso acaba afetando sobretudo o preço. E esse aumento dos gastos do governo também tem afetado essa relação dívida-PIB, a gente está vendo uma crescente e isso acaba  jogando incerteza em relação a essa capacidade futura de pagamento do governo em relação à dívida”.

Para o colunista, não resta outra saída ao governo a não ser a de atacar a raiz do problema, ou seja, o aumento descontrolado dos gastos. “Uma política de contenção de gastos vai auxiliar o governo, não só por segurar a inflação e melhorar os fundamentos da  saúde da economia, mas vai dar mais estabilidade e lá na frente vai fazer com que a economia tenha melhores condições de crescer de forma mais sustentável.
Uma redução dos gastos já reduz a demanda agregada, já dá uma segurada nos preços, melhora as contas do governo, que é fundamental para investimento e para deixar o dólar com um preço mais baixo, ou seja, apreciar o real em relação ao dólar, apreciar a taxa de câmbio no longo prazo, e, para dar mais confiança de uma forma geral para os investidores, reduzir essa dinâmica da dívida, permitir que o Banco Central lá na frente consiga baixar os juros e aí a economia consegue ter um funcionamento melhor. Hoje a gente está com juros altos e com uma inflação alta e crescente. E é resultado de toda essa dinâmica do aumento dos gastos do governo”, conclui Nababashi.


Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar quinzenalmente,  quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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