USP SUSTENTÁVEL

Centro de pesquisa da USP recebe célula de hidrogênio para estudos em descarbonização

Tecnologia foi desenvolvida para veículos pesados, com potencial de expansão para automóveis de passeio, e será utilizada em projetos do Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI)

 26/03/2025 - Publicado há 12 meses     Atualizado: 11/04/2025 às 14:51
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Um equipamento semelhante a um grande motor. Em volta, quatro homens aplaudem, sendo um deles branco e os demais com feições orientais
Prefeito de Baoding, na China, Dang Xiaolong (à esq.) participa da entrega da célula a combustível que será utilizada em pesquisas do RCGI voltadas à descarbonização do setor de transportes. Ao centro da foto, o reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

 

USP Sustentável

Leia este conteúdo em InglêsA USP recebeu, em evento realizado no dia 25 de março, a doação de uma célula de hidrogênio, um cilindro de armazenamento e uma membrana de célula de
hidrogênio para uso em pesquisas de descarbonização desenvolvidas pelo Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI), um dos centros interdisciplinares vinculados à Reitoria da Universidade.

A entrega foi feita pela empresa FTXT, subsidiária da GWM especializada em tecnologia de hidrogênio, durante uma cerimônia que contou com a participação de delegações vindas da China, incluindo representantes do governo e de empresas da província de Hebi e da cidade de Baoding, onde está localizada a sede da GWM. O grupo foi liderado pelo prefeito Dang Xiaolong. Para ele, a aproximação com a USP abre portas para colaborações produtivas na área de descarbonização: “Sabemos que a USP é a Universidade mais renomada da América Latina, e todos os indicadores demonstram a qualidade dos seus talentos em diversas áreas. Vejo grande potencial para parcerias significativas e intercâmbios em pesquisas nas áreas de medicina, energia renovável e humanidades”, comentou. Xiaolong também ressaltou que o município é reconhecido na China como uma “cidade verde”, destacando-se por inovações na transição energética. Segundo ele, a tecnologia de células a combustível, como a recebida pela USP, já é utilizada na frota de caminhões de lixo da cidade.

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“Brasil e China compartilham vários desafios, entre eles a transição energética para a redução das emissões de carbono. Trabalhar em conjunto para superar esses desafios representa uma grande oportunidade, já que a China se tornou um dos principais players globais nesse setor”, afirmou o reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior, lembrando que recentemente foi inaugurado o Centro USP-China, uma plataforma que fortalece a relação entre a Universidade e empresas chinesas.

O vice-diretor científico do RCGI, Emílio Carlos Nelli Silva, apresentou as pesquisas que o centro tem desenvolvido, especialmente aquelas voltadas às emissões de gases de efeito estufa, e enfatizou a natureza transdisciplinar da equipe: “Temos um grupo formado por cientistas de diversas áreas, como engenharia, biologia, direito e psicologia, entre outras. Esses pesquisadores são oriundos de 21 estados brasileiros, além de 60 estrangeiros, o que nos proporciona uma visão ampla e diversificada”, destacou. Ele também explicou a tradição de colaboração com a indústria por meio do modelo “tripla hélice”, que integra academia, governos e empresas em projetos conjuntos.

Grupo de pessoas sentadas em mesas dispostas em formato de quadrado, onde há papeis e canetas
Delegação da província de Hebi, na China, participou de reunião com o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, e com a equipe do RCGI, a respeito de temas que podem ser trabalhados em colaboração – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Eficiência energética e descarbonização

As células a combustível são dispositivos eletroquímicos que geram eletricidade a partir da reação entre hidrogênio e oxigênio, sem combustão, emissão de poluentes ou necessidade de baterias grandes e pesadas. Além disso, não exigem longos períodos de carregamento.

O sistema converte diretamente, no próprio veículo, a energia química do hidrogênio em eletricidade. Inicialmente desenvolvida para veículos pesados, a tecnologia apresenta potencial para ampliação ao setor de automóveis de passeio. Testes já foram realizados em países como China, Japão, Alemanha e Canadá.

Entre as principais vantagens dessa tecnologia estão a emissão zero de gases de efeito estufa, a alta eficiência energética, a grande autonomia com pequenas quantidades de combustível e o reabastecimento rápido, similar ao de veículos convencionais. No Brasil, pesquisas conduzidas pelo RCGI buscam contribuir para a descarbonização e a redução de impactos ambientais por meio de alternativas para o setor de transportes, um dos principais emissores de gases de efeito estufa no mundo. A célula recebida na doação será utilizada em testes com um caminhão enviado pela GWM da China, com o objetivo de estudar a viabilidade do uso de etanol em veículos pesados, atualmente dependentes do diesel, um dos combustíveis mais poluentes.

Laboratório com grandes equipamentos, máquinas e fios, operados por um rapaz de barba sentado em frente a um notebook
Pesquisadores do RCGI fazem testes em laboratório com células a etanol para produção de energia por meio de reações químicas, técnica que permite obter grande eficiência energética sem a liberação de resíduos poluentes e sem a necessidade de grandes baterias – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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