
Apesar de a subida de escadas ser considerada um exercício aeróbico que também traz benefícios, a descida pode trazer melhores resultados com menor esforço físico, explica o professor da EEFERP, Leonardo Coelho Rabello de Lima.
“A subida de escada é eficaz no controle de algumas condições metabólicas e cardiorrespiratórias, mas a descida de escada cansa menos, possui uma resposta cardiorrespiratória mais leve e causa menor elevação da pressão arterial. Ao mesmo tempo, exige mais dos músculos utilizados na contração excêntrica da descida”, afirma o professor.

Descer escadas é considerado um exercício excêntrico, movimento que é caracterizado pela contração muscular enquanto o músculo se alonga. “Um exemplo clássico é o de levantar e sentar em uma cadeira. Ao levantar da cadeira, os músculos do quadríceps, glúteos e posteriores de coxa estão se encurtando para movimentar essas articulações. Ao sentar, esses mesmos músculos se alongam, mas continuam contraídos para controlar o movimento e evitar que a gravidade nos derrube”, explica Lima.
O professor acrescenta que esse tipo de exercício é vantajoso para pessoas com doenças crônicas ou que sentem desconforto com exercícios intensos, por ser um exercício eficiente e que promove menor gasto energético. “Para idosos é interessante, principalmente, porque promove ganho de massa muscular, condicionamento físico, melhoria da resistência à insulina, diabete e da hipertensão.”
Custo e implementação
Quando comparado a outros exercícios excêntricos, como o ciclismo, a descida de escadas é de fácil implementação e possui um baixo custo, afirma Lima. “O ciclismo excêntrico exige que se tenha uma bicicleta ergométrica, com motor e pedal, que roda ativamente fazendo um movimento de rotação. Entretanto, esse aparelho é caro, nós já fizemos um orçamento e custa mais de R$ 150 mil, enquanto o lance de escadas é praticamente gratuito dependendo do seu acesso a prédios.”
Mesmo sendo de fácil implementação, o exercício não é tão popularizado entre as pessoas, diz Lima. “Nós não vemos muito na mídia ou na comunicação em geral, costumamos ter mais incentivo na prática de caminhada, mas muito pouco discutido sobre as vantagens de se descer escadas.” Para ele, o incentivo também depende de outras organizações, como, por exemplo, os shoppings, que possuem várias escadas rolantes.
“Nada impediria que esses centros comerciais pudessem liberar essas escadas, durante um horário lógico em que não está aberto ao público para compras.” Além disso, Lima ressalta que existem maneiras de integrar a prática na rotina e recomenda que sempre sejam substituídos os elevadores pelas escadas.
*Estagiária sob supervisão de Ferraz Junior e Gabriel Soares
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