
Por qual motivo almoço no bandejão? Sendo professor do IQ, a localização é, sem dúvida, um forte estímulo. O preço também é convidativo: docentes, funcionários, pós-doutorandos e visitantes autorizados pagam R$ 15. No entanto, há um terceiro fator especialmente relevante: as refeições são preparadas por profissionais da área e são balanceadas do ponto de vista nutricional. Opções vegetarianas estão sempre disponíveis, assim como sucos. Trata-se, portanto, de uma refeição saudável e equilibrada. Obviamente, não se busca ali uma experiência gastronômica em atmosfera charmosa. Sendo restaurantes que oferecem milhares de refeições por turno e a custos muito acessíveis, é difícil encontrar espaço para melhorias drásticas na qualidade intrínseca da alimentação oferecida nestas condições de contorno.
Se as críticas à qualidade das refeições me parecem infundadas, há aspectos que certamente merecem atenção dos órgãos responsáveis e da Reitoria. As filas, por exemplo, tornam-se intoleráveis em certos dias, especialmente quando há interdição em alguma unidade ou quando o cardápio é particularmente atrativo (estrogonofe e sorvete são os mais chamativos!). O ambiente interno também reflete os desafios da alta demanda: centenas de pessoas disputam lugares nas mesas e o acesso aos assentos vazios muitas vezes não é uma tarefa trivial. No verão, a climatização nem sempre é eficiente. Aqui, melhorias são possíveis e dependem fundamentalmente de investimentos em infraestrutura.
A crítica mais contundente dos alunos, contudo, diz respeito à higiene, com relatos sobre a presença de larvas e outros materiais na comida. Minha (longa) experiência no bandejão não condiz com esses relatos de forma sistêmica, embora não se possa ignorar a possibilidade de contaminações pontuais e indevidas quando se lida com volumes massivos de alimentos. Todavia, o modo como as notícias foram propagadas gera a impressão de que tais episódios seriam frequentes. Entendo a necessidade dos alunos de conferir peso a suas pautas, mas há limites. Esse tipo de narrativa é temerário por duas razões: primeiro, deprecia o trabalho de funcionários zelosos que se dedicam diariamente à preparação das refeições; segundo, fornece munição retórica a setores que buscam deslegitimar a universidade pública perante a sociedade, sugerindo, erroneamente, uma negligência institucional para com a saúde dos estudantes.
Finalizo este depoimento lembrando um exemplo prático. Em junho de 2025, em um sábado, o IQ recebeu pouco mais de 600 pessoas, incluindo alunos do ensino médio, professores e familiares, para a Fase Final da Olimpíada de Química de São Paulo (OQSP). O evento consiste em prova de conhecimentos de Química para os alunos e visitação ao IQ e seus espaços para todos os presentes. Em anos anteriores, oferecemos lanches para os visitantes e, embora houvesse uma boa variedade de opções, muitos participantes reivindicavam uma “comida de verdade”. Assim, na OQSP 2025, após articulações com o setor responsável da PRIP, conseguimos permissão para a utilização do Restaurante Universitário pelos participantes do evento. Foram adquiridos tickets para os visitantes, que almoçaram no Bandejão do IQ. Os comentários foram muito elogiosos não apenas pela qualidade da refeição, mas também pela possibilidade de convívio em um espaço fundamental da experiência universitária.
Em resumo, considero que os bandejões universitários são uma excelente opção para a alimentação saudável da comunidade universitária. Há espaço para melhorias contínuas, certamente, mas desqualificar de forma agressiva um patrimônio de convívio por conta de problemas pontuais — que podem ser sanados com investimento e gestão — não me parece justo nem produtivo.
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