No dia 30 de abril, foi realizada uma nova rodada de negociação da pauta de reivindicações dos estudantes, em reunião que durou mais de cinco horas.
Participaram da reunião o reitor Aluisio Segurado; a vice-reitora Liedi Bernucci; o pró-reitor de Graduação, Marcos Neira; o pró-reitor de Pós-Graduação, Carlos Eduardo Ambrósio; a pró-reitora de Inclusão e Pertencimento, Patrícia Gama; o pró-reitor adjunto de Inclusão e Pertencimento, José Ricardo Ayres; o chefe do Gabinete do Reitor, Edmilson Dias de Freitas; o coordenador Executivo do Gabinete do Reitor, Gustavo Curcio; a coordenadora da Administração Geral, Adriana Marotti; além de 25 representantes discentes indicados pelo movimento estudantil.
Na reunião, foram apresentados as propostas e os encaminhamentos elencados a seguir:
1. Aumento no valor da bolsa do PAPFE
Embora o tema já tenha sido abordado na reunião do dia 28/04, em substituição à proposição anterior, a Reitoria apresentou uma nova proposta para o reajuste dos auxílios do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (PAPFE), incluindo o reajuste regular dos auxílios do programa com base no índice IPC-FIPE. Assim, o valor mensal do auxílio passaria de R$ 885 para R$ 912 (integral) e de R$ 335 para R$ 340 (parcial com moradia).
Em abril, o programa atendeu 17.587 estudantes de graduação e de pós-graduação com vulnerabilidade socioeconômica. O orçamento de 2026 para auxílios, bolsas, moradia estudantil, restaurantes, esporte e assistência à saúde para os alunos da USP é de R$ 461 milhões.
Em relação à questão do reajuste dos auxílios do PAPFE, esta configura-se como a proposta final da Reitoria.
Foi reafirmada, ainda, a criação da modalidade de bolsa PUB específica para alunos ingressantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
2. Hospital Universitário
Em relação ao Hospital Universitário (HU), foi esclarecido que, em 2022, com a retomada das contratações na Universidade, das 400 vagas autorizadas para a USP, 120 foram destinadas ao HU. Desde então, as vagas decorrentes de desligamentos vêm sendo repostas por meio de concursos públicos.
Também foi informado que a organização da rede de atenção à saúde na região oeste do município passou por mudanças significativas nos últimos anos. Em 2013, o HU desempenhava papel central como principal porta de entrada para atendimentos de urgência e emergência. No entanto, essa função — de responsabilidade da rede municipal — foi progressivamente reorganizada, com a implantação das Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs), o fortalecimento do modelo de Acesso Avançado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e, mais recentemente, a inauguração de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) na região.
Com essa reconfiguração, os atendimentos iniciais passaram a ser absorvidos por serviços específicos da rede, permitindo maior racionalização do fluxo assistencial. Esse processo contribui tanto para qualificar o atendimento à população quanto para que o HU concentre suas atividades em sua vocação acadêmica, integrando-se de forma mais efetiva ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A Reitoria ressalta que o HU constitui-se em importante e imprescindível campo de formação para estudantes dos cursos da área de saúde da USP e está empenhada em buscar alternativas para permitir a ampliação da capacidade operacional do hospital.
3. Programa Experiência HCFMUSP na Prática
No que se refere ao Programa Experiência HCFMUSP na Prática, a Pró-Reitoria de Graduação e a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, em conjunto com a Diretoria da Faculdade de Medicina (FM) e com representação discente, realizarão uma avaliação independente do programa, especialmente quanto à sua adequação às normas que regem os cursos de extensão da Universidade e quanto a eventuais impactos que possa acarretar aos estudantes da FM.
4. Compromissos estabelecidos com a representação estudantil
a) Tratar da acessibilidade do restaurante central no grupo de trabalho sobre restaurantes da capital e cuidar do mesmo aspecto nos demais restaurantes;
b) Interlocução imediata com os estudantes após a reunião com os prefeitos dos campi do interior sobre os restaurantes universitários;
c) Consulta à Superintendência de Saúde (SAU) para o atendimento dos alunos, principalmente os beneficiados pelo PAPFE, nas Unidades Básicas de Assistência à Saúde (Ubas) nos campi do interior;
d) Foi questionada a criação de um grupo de trabalho para tratar da questão da reserva de vagas de ingresso para PCDs. Tal grupo já foi criado, como pode ser verificado em matéria publicada no Jornal da USP;
e) Criação de um grupo de trabalho para discussão da acessibilidade de PCDs nos diferentes ambientes.
Importante ressaltar que, em relação aos demais pontos discutidos na reunião anterior – espaços estudantis, restaurantes universitários, cotas trans e indígenas, moradia estudantil, linhas de ônibus e calendário escolar –, as propostas estão mantidas.
A Reitoria reafirma seu compromisso com o diálogo com a representação estudantil e com toda a comunidade universitária. Ao longo desse período, foram realizadas três reuniões com estudantes, totalizando quase 20 horas de negociação. Diante dos avanços obtidos e das propostas apresentadas neste documento e na reunião do dia 28/04, a Reitoria considera encerrada a negociação das pautas estudantis.























