Podcast fala sobre hortas urbanas como resistência de gênero e ferramenta pedagógica

Produção do projeto Corredor Caipira mostra como transformar terrenos abandonados em espaços educadores, promovendo soberania alimentar e saúde mental através do protagonismo das mulheres

 Publicado: 05/05/2026 às 14:07
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Pessoas em pé e outras abaixadas mexendo em plantas numa horta
Hortas como resistência e ferramenta pedagógica é o tema do sétimo episódio do podcast Histórias da Floresta – Foto: Casa do Produtor Rural/Esalq

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No coração da periferia de Piracicaba, a terra que antes servia para o descarte irregular de resíduos, agora dá frutos e reconecta pessoas. Através do projeto Corredor Caipira, as hortas comunitárias, como a do bairro Santa Fé, deixaram de ser apenas locais de cultivo para se tornarem poderosas ferramentas de educação, resistência política e acolhimento emocional. Com o apoio da Petrobras e parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, a iniciativa destaca como o cuidado com o meio ambiente está intrinsecamente ligado à liderança feminina e ao combate às vulnerabilidades sociais.

No novo episódio do podcast Histórias da Floresta: E eu com isso?, o apresentador Rafael Bitencourt entrevista Karine Faleiros, coordenadora de Educação e Políticas Públicas do projeto Corredor Caipira, e Josélia Emídio da Silva, a Zélia, da comunidade do bairro Santa Fé. A partir do tema Gênero e floresta: hortas como resistência e ferramenta pedagógica, as convidadas abordam a relação entre mulheres e a temática ambiental e também de que forma trabalhar com hortas urbanas pode ressaltar a resistência de gênero, entre outras importantes questões. Assista ao episódio abaixo ou no canal do Youtube da TV USP Piracicaba.

No bairro Santa Fé, o impacto é visível. Zélia, liderança comunitária local, relata que o terreno antes abandonado hoje recebe diariamente crianças da escola vizinha para aprenderem sobre compostagem e alimentação saudável. “As pessoas estão se apropriando do espaço. A horta virou um local de cura; vizinhos que sofriam com depressão hoje encontram lá um motivo para sair de casa e cuidar da vida”, afirma Zélia.

O trabalho no Santa Fé também levanta o debate sobre o “ecofeminismo”. Karine destaca que cerca de 90% das lideranças nas hortas comunitárias são mulheres. O projeto defende que a exploração da natureza e a opressão de gênero possuem a mesma raiz patriarcal. Ao retomar o controle da terra e da produção de alimentos, essas mulheres exercem uma forma de resistência que une o saber ancestral à necessidade urgente de adaptação climática.

Além da produção agrícola, a horta funciona como um “espaço educador” intergeracional, onde idosos e crianças trocam receitas e conhecimentos sobre plantas medicinais. O sucesso da iniciativa já rendeu premiações e levou Zélia a representar o movimento em Brasília e em universidades, provando que a restauração ambiental começa, muitas vezes, com uma conversa ao redor da terra mexida por muitas mãos.

Clique no player abaixo e confira o episódio completo:

O projeto 

O Corredor Caipira é um projeto realizado pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (NACE PTECA) e Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O projeto Corredor Caipira, que atua conectando paisagens e pessoas, encontrou nas hortas urbanas um núcleo estratégico de biodiversidade e regulação climática. Para Karine Faleiros, coordenadora do projeto, a meta é ambiciosa: sonhar com uma horta em cada bairro para garantir a permeabilidade do solo, a produção de água e a soberania.

Para saber mais sobre as ações de restauração e educação ambiental, acompanhe o projeto no Facebook.

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Texto adaptado da Assessoria de Comunicação do Corredor Caipira


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