Em tempos incertos, a universidade é imprescindível

“Neste contexto de tempos incertos, a universidade tem o papel de produzir conhecimento justamente para preparar a juventude e a própria sociedade para a situação de incerteza”, afirma Dallari

 17/12/2025 - Publicado há 4 meses
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Na última coluna do ano, veiculada no dia 17 de dezembro, o professor Pedro Dallari faz um balanço do ano de 2025. “Mais importante do que fazer uma lista de eventos relevantes, parece-me melhor caracterizar o ano no contexto de uma era que temos vivido, uma era que eu qualifico como de tempos incertos. O grande elemento transformador de 2025, e de todo este período, é o avanço tecnológico impressionante e incontrolável”, considera.

Para Dallari, “por um lado, o avanço tecnológico propicia benefícios indiscutíveis na promoção da saúde humana, por exemplo, com a contínua elevação da expectativa de vida das pessoas. Mas esse mesmo avanço tecnológico, dada a dificuldade de controlar a sua expansão, traz riscos para a própria sobrevivência da espécie humana, como evidencia o aquecimento global, as pandemias, o risco do uso de armas nucleares e a falta de controle sobre a inteligência artificial”.

Segundo o professor, “neste contexto de tempos incertos, sem dúvida nenhuma, a universidade tem um papel muito relevante. É o papel de produzir conhecimento justamente para preparar a juventude e a própria sociedade para a situação de incerteza. Isto que parece óbvio foi ensinado aqui no Brasil pelo antigo ministro da Espanha, Felipe González, que era catedrático da Cátedra José Bonifácio da USP em 2016, e em conferência que produziu no Museu de Arte Contemporânea da Universidade em outubro daquele ano, sobre a necessidade de as universidades terem o dever de preparar os jovens para as incertezas do futuro”.

“A USP vem se incumbindo muito bem dessa responsabilidade e, a meu ver, especialmente por preservar um elemento que há cerca de mil anos vem caracterizando as universidades de excelência, que é o funcionamento com base em uma governança coletiva, baseado em órgãos colegiados e mais do que isso, no espírito de colegialidade em que professores, servidores técnicos e administrativos e alunos se articulam em espaços de decisão que são geradores de convergência e de consenso. Esse caráter coletivo do funcionamento das universidades de excelência, da qual a USP faz parte, como demonstram os rankings internacionais, é um grande exemplo”, avalia.

Sobre esse mesmo tema, Dallari menciona a manifestação que fez na cerimônia que celebrou a gestão do reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior e da vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda, no dia 5 de dezembro, na Sala São Paulo, na qual foi convidado a falar em nome do Conselho Universitário.


Globalização e Cidadania
A coluna Globalização e Cidadania, com o professor Pedro Dallari, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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